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domingo, 3 de outubro de 2010

O cachorrinho


O cachorrinho conseguiu fugir pelo portão. Correu pelas ruas, deu muitas voltas, encontrou um passarinho, rosnou para um gatinho. Caçou confusão com outros cães com os quais esbarrou no caminho. Rodou quase toda a cidade, entrou e saiu da igreja que estava com as portas abertas; tomou água na fonte, roeu um osso de mocotó que roubou de uma lixeira; atravessou a rua e quase foi atropelado; dormiu enrolado debaixo da sombra de uma árvore.

No final do dia, para alegria de todos, retornou o cachorrinho. Após tantas voltas, ninguém sabia como ele conseguiu encontrar o caminho de volta, mas todos ficaram contentes com o seu retorno. Um banho seria necessário, é verdade. Água e comida foi o que ele mais buscou depois das lambidas no rosto dos donos.

Não demorou muito e lá estava ele, dormindo tranquilamente, limpinho e bem cuidado, em volta de seus amorosos donos.

Kelly Vyanna.


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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

História de hoje...

A bagunça

Mamãe saiu para fazer umas compras, deixando em casa apenas os seus "anjinhos" e o cachorro. Tudo estava muito arrumado, pois ela se compraz em ser uma dona de casa zelosa. Lavou toda a louça, organizou os objetos em seus lugares, lustrou os móveis, encerou o chão. Nos armários, cada coisa em seu lugar; nos quartos, camas feitas, armários com roupas bem passadas e dobradas. Enfim, a casa parecia um lindo e doce lar. Então, ela saiu contente e despreocupada, pois logo estaria de volta para a hora do lanche.

Ela não imaginava chegar e encontrar a casa em tamanho alvoroço: Paulo, o filho mais velho, estava pendurado no lustre, balançando-se e gritando que nem Tarzan; Ana Paula, a filha do meio, resolveu fabricar perfume com as flores que enfeitavam a mesa e o detergente da pia. O resultado foi espuma e pétalas espalhadas por toda casa. O menino mais novo, então, resolveu brincar com as plantas do terrário, mas quebrou o aquário e espalhou terra sobre a cama, os móveis, deixando, além disso, um rastro de todos os passos que ele dera pela casa.

E isto não foi o pior, pois falta o cachorrinho da casa. Um inocente dálmata, que nunca deve entrar em casa, pois ninguém ainda conseguiu adestrá-lo. Lá estava ele sobre o sofá com algo balançante entre os dentes. Aproximando-se um pouquinho mais poderia-se notar que esse 'algo' se tratava do relógio de ouro do papai, que ele deixara sobre o criado-mudo.

Mamãe levou um grande susto ao encontrar toda essa bagunça e ia mesmo dar uma grande bronca, mas o cachorro correu até ela pulando alegremente. As crianças fizeram algo parecido e também demonstraram o quanto estavam contentes com a sua volta. É correto dizer que todos, inclusive o cachorro, esperavam que ela lhes trouxesse um lanchinho, mas isso é só um detalhe.
O fato é que eles estavam contentes com o seu retorno.

Antes do lanchinho, no entanto, a voz de comando da mãe foi o som que mais se ouviu naquela casa. Todos, até o cachorro tiveram de se empenhar para que tudo voltasse ao seu estado natural. Então, depois que todos juntos restauraram a ordem na casa, a mesa foi posta e a família se reuniu para o lanchinho da tarde. Enfim, a paz e a ordem reinaram novamente.

Kelly Vyanna.
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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

História de hoje...

Era uma vez um papagaio chamado Louro. Todos os dias pela manhã ele acordava gritando, então todos da casa também acordavam. Uns ficavam contentes, outros, nem tanto.

Ele morava em cima de uma gaiola velha, que pertencera a um pássaro preto sortudo que escapara do cativeiro para viver livre numa fazenda.

Certa vez, pensando que o papagaio poderia estar se sentindo muito triste, sua dona resolveu levar para casa uma jandainha do mato. A tal jandainha estava muito maltratada, pois alguns moleques jogaram-lhe pedras, chegando a feri-la e a quebrar-lhe uma asa. Infelizmente, devido aos maus tratos que sofrera, a jandainha era muito nervosa e, ao invés de se tornar uma boa companhia para o papagaio, os dois se hostilizavam constantemente.

A jandainha passou a se chamar Tamí e era mesmo muito valente. Apesar de ser pequenina, ela enfrentava o papagaio que devia ter o dobro do seu tamanho. Se ele tentava se aproximar dela, levava bicadas nos pés e até no bico.

O papagaio é bem tranquilo, mas há momentos, que ele também se zanga. Então, a jandainha leva a pior, pois em meio a sons agudos e guturais, ela acaba sendo empurrada de cima da gaiola ao chão. Nesse momento entra em cena o gato, que corre até lá a lamber os beiços. Atrás dele, porém sempre está a dona desses bichos que sempre salva a jandainha no último instante.

Kelly Vyanna.

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sábado, 4 de setembro de 2010

História de hoje...

O Coelhinho (parte II)

Anaísa ganhou um coelhinho muito fofo, de pelos branquinhos e macios. Ela o deixava passear livremente pela casa, mas ele fazia muita bagunça e sujeira. Apesar disso, a menina estava contente com seu animalzinho de estimação, limpava toda sujeira sem reclamar e cuidava dele com carinho.

Ás vezes ela deixava o coelhinho solto no quintal para que ele tivesse um pouco de liberdade. E o animalzinho apreciava muito esses momentos em que ele tomava sol e ficava à vontade, pulando pra lá e pra cá.

Á noite, a menina buscava o bichinho e colocava na gaiola do lado da sua cama. A gaiola era bem forradinha e o coelho podia dormir tranquilamente.

Um dia, porém a menina o levou para o quintal logo cedo e, no final da tarde, quando foi procurá-lo, não o encontrou. Ela ficou desesperada, até que viu um buraco que havia sido cavado rente ao muro do vizinho.

Rapidamente Anaísa escalou o muro e olhou para dentro do quintal do vizinho. Lá estava o seu coelhinho branco, todo satisfeito, enamorado de uma bela coelhinha de pelos negros e brilhantes. Os dois formavam um lindo casal.

Pouco tempo depois nasceu uma ninhada de coelhos cada um de uma cor. Havia brancos como o pai, pretinhos como a mãe, cinzas, marrons e malhados. Todos muito fofos e orelhudos.

Kelly Vyanna.
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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

História de hoje...

O gato mudo

A dona gata ganhou uma ninhada de lindos gatinhos. Todos eram bem saudáveis e espertos. Mamavam quase que o dia inteiro e depois tiravam longas sonequinhas.

Algum tempo depois eles abriram os olhinhas e cada um exibia os olhos mais bonitos e brilhantes. Alguns tinham olhos azuis, outros verdes, outros amarelos e um deles, estranhamente, possuía um olho azul e o outro verde.

Quando a mamãe gata viu que um de seus filhotes possuía um olho de cada cor, ficou chateada. Mas logo se esqueceu, pois estava tão orgulhosa com seus bichanos que começavam a andar e a brincar com insetos. Eles eram realmente uma graça!

Mas aconteceu que todos os gatinhos miavam, exceto aquele que possuía um olho de cada cor, pois ele não emitia som algum. Dona gata ficou preocupada e foi logo averiguar o que estava acontecendo com o seu filhote. Quando ela tentou encorajá-lo a miar, no entanto, ele soltou um defeituoso som abafado e rouco.

Dona gata quis ajudá-lo, mas foi em vão. Todas as vezes que o gatinho de olhos bicolores tentava emitir um som, era motivo de rizada dos irmãos e dos outros animais. O bichano já estava até ficando triste, pois não entendia por que não conseguia miar como os seus irmãozinhos.

O pior mesmo era que ele não conseguia se comunicar direito e ninguém entendia o que ele queria. Então ele começou a fazer gestos com os olhos, as orelhas, o rabo e as patas. Desta forma, todos começaram a entender o gatinho mudo.

Quando ele se assustava, ao invés de dar um miado medonho, ele apenas eiriçava o pêlo do rabo. Se estava alegre, deixava o rabinho bem para cima. Se triste, jogava as orelhinhas para trás; para demonstrar que estava atento, apontava as orelhas para a frente. Com medo, esticava-se todo e exibia as unhas retráteis. Até as sombrancelhas e bigodes do gatinho serviam para comunicação.

Com o tempo, todos os animais foram se acostumando com aquele seu jeito de se expressar e ninguém mais ria do bichinho. Todos aprenderam a entendê-lo e os seus irmão até começaram a imitá-lo para melhor se comunicarem. Isso foi passando de geração em geração e até hoje todos os gatos conhecem essa linguagem corporal inventada pelo gatinho mudo.

Kelly Vyanna.


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terça-feira, 17 de agosto de 2010

História de hoje...

O Jacaré Vaidoso


Zé é um jacaré muito vaidoso. Ele toma banho várias vezes ao dia e abre a bocarra e escova cada um dos seus muitos dentes com cuidado.

Ele se senta à beira do lago e ali fica horas a polir as unhas. Depois passa creme no couro para ver se ele fica macio. Zé se sente feliz quando está bem limpinho e arrumado. Além disso, ele é um jacaré educado, anda balançando a cauda e cumprimenta a todos de forma muito gentil.

Um dia Zé até exagerou nos seus cuidados de beleza. Tudo porque um fotógrafo resolveu tirar umas fotos dos bichos para expor num site da internet. Zé ficou tão empolgado que não parava de se arrumar. Tomou um banho demoradíssimo, poliu as unhas até brilharem, mas por pouco não saía na foto. É que ele se demorou demais ao escovar os dentes e perdeu muito tempo se encharcando de perfume.

No final, chegou alvoroçado, estufou o peito e arreganhou o bocão. Quando a foto foi publicada na internet, Zé aparecia com ar de bacana, o corpo pequenino e uma cabeça grande, de boca demasiada aberta onde o que mais se via eram os seus dentões.

Kelly Vyanna


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