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terça-feira, 12 de outubro de 2010

As Crianças e a Mãe Aparecida

Num orfanato viviam muitas crianças abandonadas pelos mais diversos motivos. Algumas delas estavam ali desde recém-nascidas, sem nunca terem conhecido suas mães. Por mais que as mulheres que se dispunham a cuidar delas o fizessem com carinho e dedicação, não podiam suprir a falta que uma mãe faz e isso era facilmente detectado no rostinho de cada uma delas.

Entre essas crianças que nunca conheceram suas mães, havia um menino negrinho extremamente rebelde. Ele estava crescendo e quase nenhum casal demonstrava interesse em adotá-lo, o que causava grande preocupação aos administradores do orfanato. Temiam que ele nunca conseguisse encontrar uma família e já não sabiam o que fazer para orientá-lo corretamente, devido ao seu gênio difícil.

Uma vez, no dia das crianças, fizeram uma pequena festa no orfanato, com brincadeiras, bolo e doces. Muitos casais visitavam o local naquele dia e as crianças estavam felizes e esperançosas de encontrarem uma família. Somente o negrinho continuava emburrado e relutante em participar das atividades promovidas.

Na verdade, ele agia assim porque se sentia muito rejeitado. Apesar de ser apenas uma criança, ele percebia facilmente que suas chances de ser adotado eram cada vez menores e seus seis anos de idade pareciam fazer dele um produto com prazo de validade vencido.

No dia das crianças, um casal que visitava o orfanato demonstrou grande interesse em adotar uma menina negra, pela qual se encantaram. A menina ficara órfã aos dois anos de idade e já completara seis. Depois que o casal foi embora, ela fez um desenho para representar a mulher também negra que intencionava adotá-la e beijava este desenho, quando o menino, ressentido, arrancou-o de suas mãos e correu ao banheiro, rasgou o desenho em duas partes, separando a parte da cabeça da parte do corpo. A menina chorava e pedia seu desenho de volta, mas ele o jogou dentro do vaso sanitário e deu descarga.

Inexplicavelmente, o papel não foi levado junto com a água, ao invés disso, grudou nas bordas do sanitário e a menina o retirou de lá completamente seco e intacto. Uma voluntária que tomava conta das crianças e assistiu toda a cena ficou impressionada, sentou-se junto às crianças no chão do banheiro mesmo e lhes contou a história de Nossa Senhora Aparecida. Depois fez com eles uma oração, pedindo que aquelas duas crianças pudessem encontrar um lar definitivo, onde tivessem harmonia e paz para crescerem bem.

No dia seguinte, a mulher negra que estivera visitando o orfanato no dia das crianças retornou e lhes contou um sonho em que Nossa Senhora Aparecida vinha lhe trazendo pelas mãos um casal de crianças negras, lhe pedindo que tomasse conta daquelas duas crianças. Então, ela e seu marido decidiram adotar a menina e o menino negros de seis anos de idade para que formassem uma família mais completa.

Quando soube da história do desenho, eles mandaram emoldurar e penduraram na parede do quarto das crianças para que sempre se lembrassem daquele episódio que marcou a vida de todos eles para sempre.

Kelly Vyanna. Membro da ACEIB/DF. Disponível em: recantodasletras.uol.com.br, www.aceib-gremioliterario-df.blogspot.com ou http://kelly-literatura.blogspot.com/

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Ali estava o final do arco-íris

Ali estava o final do arco-íris

Havia um menininho que amava o arco-íris. Ele não se cansava de admirar suas luzes, suas cores. Ouvia histórias e canções sobre o arco-íris e o perseguia, correndo pelas ruas em busca de encontrar o seu final.
Não era o pote de ouro que o menino desejava, ao correr na direção do arco-íris. Ele buscava saciar a sua sede, sede de aventura e conhecimento. E no final do arco-íris estava a fonte.
Então o menino se punha a sentar na calçada cada vez que se anunciava um vendaval. Ele esperava que após a chuva surgisse o arco-íris.
Muitas vezes ele esperou, algumas das quais ficou decepcionado, pois ainda não entendia com funcionava esse fenômeno. Um dia, porém, sentado na calçada após a chuva, surgiu o sol. O menino olhou distante e se deparou com um imenso arco-íris.
Brilhantes eram as suas cores, como brilhava também os olhos do menino, que se pôs a correr, determinado a encontrar o final do arco-íris.
Para surpresa de todos, ele realmente conseguiu. Após algum tempo a correr, ele parou de repente e foi como se o arco-íris o tivesse transpassado. O menino se sentiu completamente invadido pelas suas luzes coloridas.
Alguns dirão: foi só uma ilusão de óptica. Mas o fato é que dentro daquele menino havia um arco-íris a brilhar. E ele sabia disso, não importava o que dissessem.
Ele cresceu e se tornou muito melhor do que um pote de ouro. Ele se tornou uma pessoa de ouro, que ajudou a transformar muitas vidas. Dentro do seu coração: ali estava o final do arco-íris.
Kelly Vyanna.
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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O menino na cozinha


O melhor lugar da casa era a cozinha e não apenas por causa da comida, mas principalmente porque era lá que mamãe ficava a maior parte do dia. O menininho passou a considerar a cozinha o seu lar e era aos pés da mãe, que ficava de um lado para o outro com seus afazeres, que ele se envolvia em solitárias brincadeiras e aprendia também quase que sozinho as primeiras letras.
Ele era mesmo um menino muito inteligente, comunicativo. Logo tornou-se para a mãe uma agradável companhia enquanto ela desempenhava suas funções de dona de casa. Ambos passavam quase todo o tempo na cozinha. Ela, a lavar e organizar utensílios e a preparar alimentos; ele, a aprender sobre a vida, com suas perguntas inocentes e suas constatações desconcertantes.
A vida era simples assim: mãe e filho na cozinha, um a cuidar do outro, ambos crescendo como o bolo que era deixado no forno.
Kelly Vyanna.
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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

História de hoje...

A janela do hotel

De repente, se fez silêncio naquele hotel. Davi então percebeu que chegara a hora de dormir, mas ele ainda não tinha sono. Ele desejava chegar à janela e olhar lá fora. Sua mãe não permitia isso porque o quarto do hotel onde eles estavam ficava no sétimo andar. É muito perigoso para uma criança pequena ficar à janela de um apartamento tão alto.

No entanto, a mãe de Davi adormecera no sofá, de tão cansada que ela estava. O menininho resolveu aproveitar aquele breve instante de liberdade para desobedecê-la e realizar o seu desejo de chegar à janela.

Felizmente, o sono das mães é leve, não obstante o cansaço. Ao sentir os passinhos do menino e o arrastar da cadeira que ele levava até a janela e, antes que suas mãozinhas chegassem a destravá-la, a mãe já estava bem alerta para impedi-lo.

Então, uma vez mais a mãe segurou o filho nos braços, explicou-lhe que não deveria tentar chegar sozinho à janela e, de forma segura, lhe mostrou a paisagem noturna que ele tanto queria ver. Depois, conseguiu envolvê-lo contando-lhe uma bonita história.

Em poucos instantes, Davi adormecia tranquilamente sobre a cama, enquanto a mãe ainda tomava as últimas providências em relação à janela, que se tornou segura o suficiente para lhe permitir dormir em paz ao lado do filho pelo resto da noite.

Kelly Vyanna.

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domingo, 19 de setembro de 2010

História de hoje...

O Fantasma e o Valentão

Havia na cidade um garoto que tinha fama de valentão. Ele era mais alto que os outros estudantes da escola e dizia não ter medo de nada.

Para provar a sua valentia, ele estava sempre se metendo em confusão. Desafiava até os professores e muitas vezes seus pais eram chamados na escola por causa das brigas que ele provocava.

Infelizmente, o valentão não se emendava. E o pior, era que tinha o aval do próprio pai que, ao invés de refrear sua agressividade, a estimulava com palavras de incentivo quando ele batia em alguém ou de censuras quando ele chegava em casa machucado. Ele já estava avisado: se chegasse em casa ferido por causa das brigas, apanharia de novo.

Certa vez, no entanto, o valentão foi desafiado a passar a noite numa casa mal assombrada. Mentiu aos pais que iria ficar na casa do primo e, de lá, fugiram os dois até a casa mal assombrada.

Á porta do casarão abandonado, os dois meninos pararam e, sem que eles a tocassem, a porta se abriu com um rangido. Nesse momento, o primo disparou a correr. O valentão, porém, decidiu avançar e adentrou o casarão de peito estufado.

Quando já estava lá dentro, a porta se fechou bruscamente e ele não conseguiu mais abri-la. Foi então que o valentão começou a ter medo como nunca antes em toda a sua vida.

O que aconteceu lá dentro do casarão, ninguém nunca ficou sabendo, mas no dia seguinte, o valentão havia se modificado. Estava bem mais tranquilo, gentil e educado. Nunca mais quis saber de confusão.

A verdade, eu vou revelar a vocês: o responsável por aquela transformação foi o tio do garoto, que percebeu os planos dos meninos e chegou primeiro ao casarão. Naquela noite ele se fez passar por um fantasma e pregou no valentão um grande susto.

Depois revelou a ele a verdade, os dois conversaram até quase o amanhecer e, finalmente, o garoto entendeu que ser valente era muito mais do que se meter em confusão.

Apesar das mudanças em suas atitudes, o garoto nunca deixou de ser valente, apenas aprendeu que haveria ao longo de sua vida, muitas ocasiões para demonstrar a sua valentia, usando-a para o bem e, principalmente, de forma prudente.

Kelly Vyanna.

Licença Creative Commons: permitir a cópia, distribuição e execução da obra, desde que lhe sejam atribuídos os devidos créditos.A proteção anticópia é desativada. Para saber mais detalhes, por favor visite o site da Creative Commons Brasil.

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terça-feira, 7 de setembro de 2010

História de hoje...

O menino e as árvores do meio do caminho

Ele era um menino muito pobre. Tinha dez irmãos, o pai sumira no mundo havia algum tempo e a mãe trabalhava tanto que não sobrava tempo para cuidar dos filhos. Então, as dez crianças ficavam meio jogadas, sempre famintas, sujas e despenteadas.

Aquele menino era o mais velho dos irmãos e olhava carros e fazia pequenos serviços como carregar sacolas. Com o dinheiro que ele conseguia, comprava alimentos para si e para os irmãos. Mas nem sempre era possível arrumar algum dinheiro. Muitas vezes o menino caminhava o dia inteiro e não conseguia nada.

Nesses dias em que ele zanzava pelas ruas á procura de alimentos ou trabalho e que nada conseguia, ele costumava vasculhar as árvores do caminho em busca de frutas para matar sua fome. Às vezes ele recolhia jamelão maduro e docinho; ás vezes havia árvores carregadas de amora ou de goiabas; noutras vezes ele se deleitava com as mangas ainda verdes.

Por causa dos muitos dias de fome que passava, o menino adquiriu o hábito de andar olhando para as árvores em busca de seu alimento. Não raramente, ele experimentava de algum fruto desconhecido, mas normalmente se decepcionava com o gosto amargo.

Certa vez, ele estava cansado e faminto. Cambaleava, afastando as folhas das árvores em busca de alimentos, mas nada encontrava. Mastigava folhas para enganar a fome e em cada árvore que via, surgia nova esperança de saciar a fome. Já um pouco desorientado, ele viu uma árvore baixinha, da qual pendiam muitos frutos brilhantes. Ele não teve dúvida, correu até lá e começou a comê-los ávidamente. Não eram tão bons como aparentavam, mas sua fome era tamanha que ele comeu uma porção deles.

Infelizmente, o menino não sabia que aqueles frutos não eram comestíveis, eram, na verdade, venenosos. Ali mesmo debaixo da árvore ele começou a passar mal e a vomitar. Sozinho, foi sentindo suas forças diminuírem e seu corpo ficou inerte.

As árvores do meio do caminho podem alimentar. À sua sombra também podemos descansar, mas aquele menino, encontrou um descanso eterno e nunca mais sentiu fome novamente.

Kelly Vyanna.
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domingo, 29 de agosto de 2010

História de hoje...

O Menino que caiu no dicionário

O avô de Danilo tem em sua casa uma enorme biblioteca com estantes altas lotadas de livros. Sempre que Danilo visita o avô o encontra na biblioteca, tomando uma xícara de chá e lendo um livro.

O menino abre a porta devagarinho e, logo que é notado, pede licença para entrar. Com o avô, Danilo tem que ser muito educado, pois ele é um homem bastante exigente.

Apesar de já ter completado seis anos de idade, Danilo ainda não consegue pronunciar as palavras corretamente. O avô lhe conta histórias e lhe ensina palavras diferentes, mostrando-lhe a forma correta de pronunciá-las. Além disso, os dois sempre acabam tomando leite com biscoitos de nata, que o menino adora.

Um dia, chegando à biblioteca, Danilo não encontrou o avô. Ficou indeciso quanto se deveria entrar ou não. Já se decidira a se retirar, quando reparou num enorme livro que estava aberto e, estranhamente, disposto no chão, bem no meio da biblioteca.

Curioso, Danilo foi entrando meio ressabiado e parou bem em frente ao grande livro. Ele era cheio de palavras e o menino ainda não aprendera a ler todas elas. Mas ele se sentiu tão atraído por elas, que, de repente, se deixou cair no dicionário. Ele realmente caiu lá dentro do livro e, daí por diante, começou a pular de palavra em palavra e cada uma lhe contava uma história.

Bem, Danilo iniciou aí uma longa trajetória que você poderá ler por completo no livro "O menino que caiu no dicionário", de Kelly Vyanna.

Kelly Vyanna.


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terça-feira, 24 de agosto de 2010

História de hoje...

O Menino e a goiabeira


Um menino andava

Sem saber onde estava

Ele ia devagar

Porque o sol era quente


O menino vê então

Um pé de algodão

O menino vê mais tarde

Um pé de abacate

Mas nenhum é maduro

Já estava quase escuro


Ele sente muita fome

Há horas que não come

Vê um pé de café

Recolhe umas sementes

Mas isso ele não quer


Ele queria era encontrar

Só mesmo pra variar

Uma bananeira

Ou por sorte, quem sabe,

uma goibeira


Segue pensando assim

Pela estrada sem fim

Anda sonhando acordado

Pelo caminho que não acaba

Com o seu pé de goiaba.


O menino vê enfim

A goiabeira carregada

De grandes frutos maduros

Mas não servem de nada

Pois têm bichos demais

E o menino não suporta mais


É quando vê mais além

Já quase de noitinha

Aquela que lhe quer bem

Que atrás dele vinha

Árvore que lhe deu a vida

Sua mãezinha querida.


Kelly Vyanna.



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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

História de hoje...

O Indiozinho

Havia um menininho que nasceu numa tribo de índios e por lá viveu com sua mãe e os irmãozinhos, de maneira bastante feliz e em liberdade. Lá ele tinha tudo de que precisava: o carinho e os cuidados da mãe, a companhia dos irmãos, frutas em fartura e tudo mais que a natureza poderia lhe oferecer.

Um dia, porém o indiozinho se perdeu e foi parar numa estrada. Sem rumo ele continuou a caminhar, estava muito amedrontado e já nem sabia onde estava. Passando um caminhão, alguém o encontrou e, por não compreender a sua linguagem e, vendo-o tão perdido o levou para longe da tribo.

O indiozinho foi parar na cidade grande e encaminhado às autoridades que deveriam decidir o que fazer com ele. Longe da mãe, dos irmãos e de tudo o que conhecia, o indiozinho emudeceu e nunca mais disse uma só palavra. Também nem adiantava, pois ninguém entendia o que ele dizia, poucos eram os que tentavam realmente lhe escutar.

Assim o tempo foi passando e o indiozinho pensava que jamais encontraria sua mãe de volta. Ele não sabia que ela nunca desistira dele e, após andar por muitos lugares à sua procura ela finalmente soube notícias de que o seu filhinho fora levado à cidade e estava aguardando que uma família de brancos o adotassem.

Sua mãe índia, porém não permitiu que isso acontecesse, junto com outros índios da tribo, ela conseguiu se comunicar com as pessoas que guardavam o indiozinho e, após muitas discussões, ficando provado que o menino pertencia mesmo àquela tribo, finalmente mãe e filho puderam se abraçar novamente e o indiozinho voltou para o seu lar.

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sábado, 14 de agosto de 2010

História de hoje...

O Livro (parte I)

Era uma vez um menino pobre que um dia aprendeu a ler. E lia sempre na mesma cartilha, único espaço de leitura que ele conhecia. Espaço de palavra havia muitos: nas placas, nas faixas, nos muros, na frente das lojas. Essas palavras formavam frases que, por sua vez, formavam avisos, advertências, críticas, informações. Mas leitura mesmo, daquelas que aguçam a imaginação, o menino só conhecia as da cartilha.

Um dia, porém, andando pela rua, viu jogado no chão um livro grosso, aberto com as páginas ao vento. O menino parou diante dele e ficou a observar o veloz passar de páginas provocado pelo vento, voraz leitor. Acompanhá-lo naquela leitura seria impossível, então, escapando à recomendação da mãe de não apanhar objetos  da rua, tomou o livro em suas mãos, sentou-se no meio fio e ali mesmo iniciou sua leitura.

Era a primeira vez que o menino lia uma história longa e que não fazia parte da cartilha. O livro que ele encontrara não tinha mais a capa, faltavam algumas páginas, outras estavam rasgadas e sujas, mas ainda assim o menino se sentiu fascinado pela sua leitura, o apertou contra o peito e, levando-o para casa, o guardou num lugar secreto como seu maior tesouro. Adultos não podiam saber que o livro estava ali, pois poderiam querer lançá-lo fora novamente, já que eles não sabem reconhecer o verdadeiro valor dos objetos.

Assim, quando não havia ninguém por perto, ele retirava o livro do esconderijo e adentrava as suas páginas como se fizesse parte da aventura que ali estava narrada. Era só uma história infantil num livro velho e rasgado que foi lançado fora como um objeto inútil. Nas mãos de uma criança, porém, se tornou um tesouro a ser preservado e as páginas que faltavam eram um convite à participação ativa na criação daquela maravilhosa narrativa.

Kelly Vyanna


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terça-feira, 10 de agosto de 2010

História de hoje...

O Extra Terrestre

Dudu é muito curioso e fascinado por histórias de ET’s. No dia do seu aniversário ele ganhou de seu avô um telescópio. Desde então passa longas horas no quintal espionando o céu. Observa  as estrelas, inventa nomes de planetas, matuta como que o homem conseguiu chegar à lua.

Numa noite, já era a terceira vez que seu pai o mandava entrar, pois estava ficando tarde. A mãe o advertiu pela enésima vez que ele poderia ficar doente se continuasse no sereno, mas apesar de todos os apelos dos pais para que ele guardasse o telescópio e fosse dormir, o menino permanecia eufórico, sem conseguir tirar os olhos do céu.

O motivo era que Dudu pensou ter visto um Ovni: Objeto Voador Não Identificado e precisava ficar atento para toda movimentação no céu. Ele vira luzes piscando e se aproximando, depois ficando paradas, depois girando, depois ondulando... Os pais tentaram convencê-lo de que o que ele havia visto era apenas um avião, mas Dudu não concordava, estava certo de ter visto uma nave espacial, possivelmente lotada de Extra Terrestres.

Com custo, seu pai o fez guardar o telescópio, vestir um pijama, escovar os dentes e deixar suas investigações espaciais para o dia seguinte. Dudu, muito contrariado, já ia deitar-se quando sentiu sede e resolveu ir sozinho à cozinha pegar um copo d’água e aproveitar para tentar dar uma última espiadinha através da vidraça. Ela ficava localizada exatamente na direção onde, anteriormente, ele vira as luzes a piscar.

Lá estava ele, de pé sobre um banquinho a espionar o céu através da vidraça. Foi quando ouviu um barulho estrondoso e uma sombra temível e arrepiada passar rapidamente. Dudu quase caiu do banco de tanto medo, correu para o seu quarto com o coração aos saltos e só se tranquilizou quando ouviu a voz da mãe que se levantara e dizia: “o gato derrubou meu jarro de flores!”

Kelly Vyanna
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