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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

História de hoje...

O Livro de Luana

Luana é uma menina pobrezinha, que vive num barraco de madeira. Quando chove de noite, Luana se encolhe para um lado da cama porque do outro lado tem goteira. Ela também fica com muito frio, pois só tem um lençol fininho com o qual se cobrir. Por isso Luana se encolhe ainda mais e fecha os olhinhos, esperando adormecer para o frio passar.

Luana aprendeu a ler quando frequentou a escola no ano passado. No início, ela teve muito medo da escola e se encolheu como nas noites frias. É que a escola parecia tão grande e ela se sentia tão pequena! Ninguém ali era tão pequena quanto Luana. A única pessoa no mundo que ela conhecia e que era menor do que ela, era sua irmã mais nova, Gabriela.

Luana também sentia falta de Gabriela, quando estava na escola. As outras crianças não falavam com ela e nem a convidavam a tomar parte de suas brincadeiras. Então, Luana ficava quase sempre sozinha, esquecida num canto.

A hora do lanche era o melhor momento . Em casa, não era sempre que havia comida e o lanche da escola se tornou a sua primeira refeição do dia. Ás vezes, a única.

As outras crianças da escola eram cheias de vida, animadas e sempre tinham novidades a contar, sobre brinquedos novos, viajens, tios e avós. Elas riam alto, gritavam, corriam, pulavam. Toda essa euforia deixava Luana atordoada, pois não era habituada a barulhos de crianças brincando. Os sons aos quais ela era habituada, eram de gritos de dor, choro, lamentações, xingamentos. Então ficava muito confusa quando as crianças gritavam de euforia e se encolhia mais e mais.

Depois Luana teve de deixar a escola. Não havia quem cuidasse da irmã enquanto a mãe trabalhava. Além disso, não havia quem lhe ajeitasse os cabelos ou lavasse seu uniforme, ou a acompanhasse até lá.

Luana só teve saudades do livro de alfabetização, pois gostava de aprender a juntar letrinhas e também de ver as figuras e colorir desenhos. Mas, lá no fundo, ela sentia que aquela escola não era o seu lugar. Embora desejasse tanto que fosse, ela não sabia fazer a mágica que transforma uma abóbora em carruagem e ratinhos em cavalos, como nos contos de fadas.

Kelly Vyanna.
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domingo, 29 de agosto de 2010

História de hoje...

O Menino que caiu no dicionário

O avô de Danilo tem em sua casa uma enorme biblioteca com estantes altas lotadas de livros. Sempre que Danilo visita o avô o encontra na biblioteca, tomando uma xícara de chá e lendo um livro.

O menino abre a porta devagarinho e, logo que é notado, pede licença para entrar. Com o avô, Danilo tem que ser muito educado, pois ele é um homem bastante exigente.

Apesar de já ter completado seis anos de idade, Danilo ainda não consegue pronunciar as palavras corretamente. O avô lhe conta histórias e lhe ensina palavras diferentes, mostrando-lhe a forma correta de pronunciá-las. Além disso, os dois sempre acabam tomando leite com biscoitos de nata, que o menino adora.

Um dia, chegando à biblioteca, Danilo não encontrou o avô. Ficou indeciso quanto se deveria entrar ou não. Já se decidira a se retirar, quando reparou num enorme livro que estava aberto e, estranhamente, disposto no chão, bem no meio da biblioteca.

Curioso, Danilo foi entrando meio ressabiado e parou bem em frente ao grande livro. Ele era cheio de palavras e o menino ainda não aprendera a ler todas elas. Mas ele se sentiu tão atraído por elas, que, de repente, se deixou cair no dicionário. Ele realmente caiu lá dentro do livro e, daí por diante, começou a pular de palavra em palavra e cada uma lhe contava uma história.

Bem, Danilo iniciou aí uma longa trajetória que você poderá ler por completo no livro "O menino que caiu no dicionário", de Kelly Vyanna.

Kelly Vyanna.


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domingo, 15 de agosto de 2010

História de hoje...

O Livro (parte II)

Numa linda casa vive uma menina que gosta de passar horas lendo histórias. Há em sua casa diversos tipos de livros com belas capas, letras douradas, muito coloridos e com desenhos magníficos.

Porém o livro que a menina mais gostava era também o mais simples de todos, mas continha uma fascinante narrativa. Era um livro grosso, de letras grandes, com inúmeras páginas de uma história emocionante.

Todas as noites antes de dormir ela o lia por um longo tempo e, desde que o ganhara, não se importava mais com os outros livros, pois aquele se tornara o seu preferido. Sua mãe ficava até meio chateada porque ela possuía livros caros e elaborados como verdadeiras obras de arte, mas esses pareciam à menina apenas enfeites que deveriam compor a estante.

Antes que ela terminasse a leitura do seu livro preferido, no entanto, aconteceu que a empregada fez uma faxina em seu quarto e, vendo que aquele livro  tinha aparência de velho e estava amassado de tanto ser manuseado, o jogou numa caixa de objetos a serem doados a crianças pobres.

Foi assim que a menina perdeu o livro que tanto gostava sem ter conhecido o final da sua história. Desde então o livro tem feito uma jornada, passando de mãos em mão, enquanto a menina o procura na esperança de dar continuidade à aventura que com ele foi iniciada. Até encontrá-lo ela terá feito inúmeras suposições para o desenlace da trama, exercitando sua imaginação e criatividade.


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sábado, 14 de agosto de 2010

História de hoje...

O Livro (parte I)

Era uma vez um menino pobre que um dia aprendeu a ler. E lia sempre na mesma cartilha, único espaço de leitura que ele conhecia. Espaço de palavra havia muitos: nas placas, nas faixas, nos muros, na frente das lojas. Essas palavras formavam frases que, por sua vez, formavam avisos, advertências, críticas, informações. Mas leitura mesmo, daquelas que aguçam a imaginação, o menino só conhecia as da cartilha.

Um dia, porém, andando pela rua, viu jogado no chão um livro grosso, aberto com as páginas ao vento. O menino parou diante dele e ficou a observar o veloz passar de páginas provocado pelo vento, voraz leitor. Acompanhá-lo naquela leitura seria impossível, então, escapando à recomendação da mãe de não apanhar objetos  da rua, tomou o livro em suas mãos, sentou-se no meio fio e ali mesmo iniciou sua leitura.

Era a primeira vez que o menino lia uma história longa e que não fazia parte da cartilha. O livro que ele encontrara não tinha mais a capa, faltavam algumas páginas, outras estavam rasgadas e sujas, mas ainda assim o menino se sentiu fascinado pela sua leitura, o apertou contra o peito e, levando-o para casa, o guardou num lugar secreto como seu maior tesouro. Adultos não podiam saber que o livro estava ali, pois poderiam querer lançá-lo fora novamente, já que eles não sabem reconhecer o verdadeiro valor dos objetos.

Assim, quando não havia ninguém por perto, ele retirava o livro do esconderijo e adentrava as suas páginas como se fizesse parte da aventura que ali estava narrada. Era só uma história infantil num livro velho e rasgado que foi lançado fora como um objeto inútil. Nas mãos de uma criança, porém, se tornou um tesouro a ser preservado e as páginas que faltavam eram um convite à participação ativa na criação daquela maravilhosa narrativa.

Kelly Vyanna


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