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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Comentários sobre Os Detetives Selvagens (Roberto Bolaño)


   Lançado em 2006, Os Detetives Selvagens é um romance polifônico dividido em três partes. Ao empreender uma busca pela poetisa Cesárea Tinajero, os protagonistas Arturo Belano e Ulisses Lima se envolvem em tramas e situações que conduzem a diversas reflexões sobre a condição humana, sociedade, política e literatura. Personagens das mais diversas características ganham voz, apresentando-se ao leitor ou apresentando outros personagens, inclusive os protagonistas.
   Cada personagem traz uma diversidade de dramas e pontos de vista que o leitor vai reconhecendo, compartilhando, negando. Muitas histórias que, aparentemente, não têm ligação com a trama principal, terminam por formar um complexo emaranhado de vestígios necessários para se obter um panorama das ideias poéticas, históricas e políticas presentes na obra. Quanto ao leitor, vai assim elaborando a sua própria visão da história e dos personagens.
   Embora o livro apresente dezenas de personagens e seus dramas, não podemos deixar de notar a maneira pela qual, em Bolaño, a literatura ganha espaço como um ser vivo, um personagem que se move e interage com os outros. Não apenas a intertextualidade, mas, principalmente a metalinguística são exploradas de maneira imprescindível para alavancar relevantes temas sociais e políticos, tais como a situação feminina e a ditadura.

   Contudo, podemos ressaltar outro questionamento, de alcance talvez menor em abrangência, mas não em importância, qual seja, a reflexão que a obra provoca a respeito do espaço ficcional, suas funções, suas intervenções e seus limites.

Obra: Os detetives selvagens
Autor: Roberto Bolaño (México)
Editora: Companhia das letras
Edição:2006
Páginas: 624
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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Resumo e Crítica de Cem Noites Tapuias (Ofélia e Narbal Fontes)


CEM NOITES TAPUIAS
Ofélia e Narbal Fontes

 Editora: Ática
 Ano: 1986 / Páginas: 109

Resumo:
Quincas Venâncio é um garimpeiro que vive com o filho Quinquim numa tapera. A mãe do menino morreu e, por sentir sua falta, a criança sempre acorda chorando. O garimpeiro é obrigado a levar o filho consigo para o trabalho todos os dias. Um dia, porém o menino amanhece indisposto e o pai se vê obrigado a deixá-lo em casa sozinho. No garimpo, acontece um fato feliz: Quincas Venâncio encontra um grande diamante, mas naquele mesmo dia seu filho é raptado por índios da tribo Xavante. Além da criança, os índios levam uma professora bugra, conhecida por Joana Borora. Joana consegue evitar que seus alunos sejam raptados, entregando-se aos índios para salvá-los. Os homens da Vila de Poxoreu tomam conhecimento do rapto e partem para resgatá-la. Quincas Venâncio acompanha-os na esperança de que seu filho tenha tido o mesmo destino da professora e também possa ser resgatado. Na aldeia, Joana e Quinquim interagem com os índios e, durante as cem noites em que esperam pelo resgate, Joana conforta o menino contando-lhe a história de Carumbé, um jabuti que sai de casa em busca do fim do mundo. Os índios armam uma emboscada para os brancos, porém Joana Borora consegue mandar-lhes uma mensagem escrita numa porunga lançada ao rio. Graças a isso, os homens conseguem despistar os índios, chegam à tribo por direção oposta à prevista pelos Xavantes e, encontrando somente mulheres e crianças desprovidas de armamento, resgatam o menino e a professora, retornando em paz. Ao final, Quincas Venâncio e Joanna Borora decidem se casar, para alegria de Quinquim que durante as cem noites vividas na aldeia indígena, aprendera a amar a professora como uma verdadeira mãe.

Crítica:
Livro da série Vagalume, que traz uma história emocionante. Como um bombom com recheio, há uma história dentro da história, ou seja, o relato das aventuras do jabuti Carumbé em busca do fim do mundo. A trama é bem construída, envolvendo o leitor como se ele pudesse participar da vida dos personagens simples da vila de Poxoreu, do dia a dia na tribo dos Xavantes ... Como em Mil e uma Noites, aqui também o leitor fica na expectativa de mais uma aventura a cada anoitecer com Carumbé e a cada amanhecer com Quinquim e Joana Borora junto aos índios da tribo Xavante. Além disso, o leitor fica na torcida pelo resgate do menino Quinquim e da professora. Com sabedoria, um confronto entre brancos e índios, que poderia ser trágico, é evitado no final, presenteando o leitor com um doce final feliz.

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domingo, 10 de outubro de 2010

Crítica: O menino do pijama listrado, John Boyne

Este é um dos raros casos em que o filme supera a obra literária, talvez devido ao fato de o autor tê-lo concluído precipitadamente. As ideias, as palavras, a estrutura do texto, poderiam ter sido analisados mais detidamente para um melhor desenvolvimento da trama. Apesar disso, a obra é espetacular devido à forma inovadora que apresenta o holocausto, ao impacto causado pelo final surpreendente e à reflexão que proporciona após a leitura.
 O menino do pijama listrado nos apresenta uma história emocionante sobre o holocausto do ponto de vista inocente de uma criança de 9 anos, Bruno. E vai além, pois mostra ainda a forma como o adolescente, no caso a irmã mais velha de Bruno, pode ter sua opinião completamente manipulada por um sistema que busca apenas defender os seus próprios interesses. Adolescentes, cheios de ideais, que infelizmente podem se tornar perigosos, violentos, como o tenente Kotler.
Alguns leitores e espectadores dizem se sentir incomodados com a história, principalmente devido ao seu final. Não seria este incômodo benéfico? Ou será que a história da humanidade deve ser disfarçada para não gerar incômodos? A literatura aqui vem nos apresentar o nosso lado cruel e por isso incomoda. Ao denunciar os crimes cometidos durante o holocausto, ela mexe com o nosso 'ser' humano.
Em alguns momentos, percebi no menino inocente, que não entende direito as palavras e associa o uniforme de um campo de concentração a um pijama – desejando mesmo poder ficar todo o dia vestido daquela forma, vivendo junto com os que ali estão como se eles fossem muito mais felizes que ele – uma referência à geração atual, pois nós não compreendemos o que foi o holocausto. Somos como aquela criança, acreditamos no que nos dizem e muitas vezes fantasiamos um mundo que não existe, pois para que ele exista, é necessário o nosso empenho em criá-lo. Só compreende a dimensão do que foi realmente o holocausto quem o viveu em toda a sua extensão. Assim como fez o menino Bruno, é necessário sim entrar num campo de concentração para entender o horror e até mesmo vivenciá-lo. Incomodado? Não quer entrar no campo, prefere ficar do outro lado da cerca, fantasiando que não pode ter sido tão ruim assim? Então não assista ao filme nem leia o livro, a história pode te impressionar demais e talvez você não tenha maturidade o bastante para enfrentar isso, como Schmuel, o menino triste e faminto que encontramos do outro lado da cerca.

Texto de Kelly Vyanna
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