Mostrando postagens com marcador Histórias de meninas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Histórias de meninas. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 12 de outubro de 2010

As Crianças e a Mãe Aparecida

Num orfanato viviam muitas crianças abandonadas pelos mais diversos motivos. Algumas delas estavam ali desde recém-nascidas, sem nunca terem conhecido suas mães. Por mais que as mulheres que se dispunham a cuidar delas o fizessem com carinho e dedicação, não podiam suprir a falta que uma mãe faz e isso era facilmente detectado no rostinho de cada uma delas.

Entre essas crianças que nunca conheceram suas mães, havia um menino negrinho extremamente rebelde. Ele estava crescendo e quase nenhum casal demonstrava interesse em adotá-lo, o que causava grande preocupação aos administradores do orfanato. Temiam que ele nunca conseguisse encontrar uma família e já não sabiam o que fazer para orientá-lo corretamente, devido ao seu gênio difícil.

Uma vez, no dia das crianças, fizeram uma pequena festa no orfanato, com brincadeiras, bolo e doces. Muitos casais visitavam o local naquele dia e as crianças estavam felizes e esperançosas de encontrarem uma família. Somente o negrinho continuava emburrado e relutante em participar das atividades promovidas.

Na verdade, ele agia assim porque se sentia muito rejeitado. Apesar de ser apenas uma criança, ele percebia facilmente que suas chances de ser adotado eram cada vez menores e seus seis anos de idade pareciam fazer dele um produto com prazo de validade vencido.

No dia das crianças, um casal que visitava o orfanato demonstrou grande interesse em adotar uma menina negra, pela qual se encantaram. A menina ficara órfã aos dois anos de idade e já completara seis. Depois que o casal foi embora, ela fez um desenho para representar a mulher também negra que intencionava adotá-la e beijava este desenho, quando o menino, ressentido, arrancou-o de suas mãos e correu ao banheiro, rasgou o desenho em duas partes, separando a parte da cabeça da parte do corpo. A menina chorava e pedia seu desenho de volta, mas ele o jogou dentro do vaso sanitário e deu descarga.

Inexplicavelmente, o papel não foi levado junto com a água, ao invés disso, grudou nas bordas do sanitário e a menina o retirou de lá completamente seco e intacto. Uma voluntária que tomava conta das crianças e assistiu toda a cena ficou impressionada, sentou-se junto às crianças no chão do banheiro mesmo e lhes contou a história de Nossa Senhora Aparecida. Depois fez com eles uma oração, pedindo que aquelas duas crianças pudessem encontrar um lar definitivo, onde tivessem harmonia e paz para crescerem bem.

No dia seguinte, a mulher negra que estivera visitando o orfanato no dia das crianças retornou e lhes contou um sonho em que Nossa Senhora Aparecida vinha lhe trazendo pelas mãos um casal de crianças negras, lhe pedindo que tomasse conta daquelas duas crianças. Então, ela e seu marido decidiram adotar a menina e o menino negros de seis anos de idade para que formassem uma família mais completa.

Quando soube da história do desenho, eles mandaram emoldurar e penduraram na parede do quarto das crianças para que sempre se lembrassem daquele episódio que marcou a vida de todos eles para sempre.

Kelly Vyanna. Membro da ACEIB/DF. Disponível em: recantodasletras.uol.com.br, www.aceib-gremioliterario-df.blogspot.com ou http://kelly-literatura.blogspot.com/

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

Leia mais!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Lalinha Super Star (parte II)



Lalinha gosta de se fantasiar e costuma vestir roupas de todos os tipos e tamanhos. Mas o que Lalinha mais gosta é de sapatos. E ela calça as botas e os sapatos de salto de sua mãe, depois anda pela casa fazendo toc toc.

Lalinha admira sua mãe, pois para a menina, ela é a mulher mais linda do mundo. Ela fica todo o tempo a observar a mãe se arrumando e maquiando. Quando tem a oportunidade, Lalinha veste as roupas e os sapatos da mãe, mesmo não lhe servindo direito.

Lalinha está crescendo bem depressa. E quando ela quer calçar um sapato que já não lhe serve, a mãe lhe diz que ele ficou pequeno para o seu pé. De tanto ouvir que seus sapatos estavam ficando pequenos, um dia, após sua mãe reclamar de um lindo par de saltos que lhe machucava os pés, Lalinha, com os olhos brilhantes, pediu:
- Quando seu sapato ficar pequeno, você dá ele pra mim?

Kelly Vyanna.

Licença Creative Commons.
Leia mais!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Lalinha Super Star ( PARTE I)



Lalinha quer vestir uma roupa legal. Quando abre as portas do armário, encontra sua calça preferida, toda animada, ela tenta vesti-la, mas que surpresa desagradável! A calça não lhe entra mais, Lalinha cresceu...

Então, ela busca uma roupa que recebeu de presente. Está novinha, recém tirada da embalagem. Ocorre outra surpresa desagradáve, no entantol: a roupa é grande demais.

Lalinha fica chateada, pois nenhuma roupa lhe serve. Com os sapatos não é diferente, eles estão sempre ficando menores que o seu pé.

Então, Lalinha dá de ombros, coloca os óculos escuros do papai, calça os tamancos da mamãe e se cobre igual a uma indiana, com o manto da vovó.

Kelly Vyanna.

Licença Creative Commons.
Leia mais!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

História de hoje...

O Quarto Proibido

Mariana gosta muito de ficar na casa da vovó. Lá é bem espaçoso e a menina encontra inúmeras possibilidades de brincadeiras e também de travessuras.

Um dos cômodos da casa é proibido. Mariana não pode entrar lá de jeito nenhum e isso mais aguça a sua curiosidade. Quando passa por perto do quarto proibido ela sempre tenta espiar lá dentro. Se encontra a porta entreaberta, procura descobrir algum detalhe que lhe ajude a desvendar o mistério. Se, no entanto, a porta está fechada, fica imaginando coisas fantásticas.

Na imaginação de Mariana, dentro do quarto proibido há bruxas com caldeirões de porção mágica; há fantasmas deslizantes no ar; tarântulas, sapos e lagartos. Mas também pode haver um reino encantado, com príncipes e princesas, cavalos alados, pôneis, cisnes em lagoas douradas, rosas desabrochando e estrelas cadentes.

Mariana se sente muito dividida: ás vezes deseja adentrar o quarto e saciar a sua curiosidade, às vezes prefere manter-se distante daquele mundo desconhecido que habita o quarto. Então, sempre que vai à casa da vovó, Mariana tem a expectativa de a porta se abrir a desvendar-lhe um mundo emocionante. Mal sabe ela, que a porta fechada é justamente a entrada do mundo mágico que só existe na sua imaginação.

Kelly Vyanna.

Leia mais!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

História de hoje...

O Livro de Luana

Luana é uma menina pobrezinha, que vive num barraco de madeira. Quando chove de noite, Luana se encolhe para um lado da cama porque do outro lado tem goteira. Ela também fica com muito frio, pois só tem um lençol fininho com o qual se cobrir. Por isso Luana se encolhe ainda mais e fecha os olhinhos, esperando adormecer para o frio passar.

Luana aprendeu a ler quando frequentou a escola no ano passado. No início, ela teve muito medo da escola e se encolheu como nas noites frias. É que a escola parecia tão grande e ela se sentia tão pequena! Ninguém ali era tão pequena quanto Luana. A única pessoa no mundo que ela conhecia e que era menor do que ela, era sua irmã mais nova, Gabriela.

Luana também sentia falta de Gabriela, quando estava na escola. As outras crianças não falavam com ela e nem a convidavam a tomar parte de suas brincadeiras. Então, Luana ficava quase sempre sozinha, esquecida num canto.

A hora do lanche era o melhor momento . Em casa, não era sempre que havia comida e o lanche da escola se tornou a sua primeira refeição do dia. Ás vezes, a única.

As outras crianças da escola eram cheias de vida, animadas e sempre tinham novidades a contar, sobre brinquedos novos, viajens, tios e avós. Elas riam alto, gritavam, corriam, pulavam. Toda essa euforia deixava Luana atordoada, pois não era habituada a barulhos de crianças brincando. Os sons aos quais ela era habituada, eram de gritos de dor, choro, lamentações, xingamentos. Então ficava muito confusa quando as crianças gritavam de euforia e se encolhia mais e mais.

Depois Luana teve de deixar a escola. Não havia quem cuidasse da irmã enquanto a mãe trabalhava. Além disso, não havia quem lhe ajeitasse os cabelos ou lavasse seu uniforme, ou a acompanhasse até lá.

Luana só teve saudades do livro de alfabetização, pois gostava de aprender a juntar letrinhas e também de ver as figuras e colorir desenhos. Mas, lá no fundo, ela sentia que aquela escola não era o seu lugar. Embora desejasse tanto que fosse, ela não sabia fazer a mágica que transforma uma abóbora em carruagem e ratinhos em cavalos, como nos contos de fadas.

Kelly Vyanna.
Leia mais!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

História de hoje...

A CHUPETA (parte II)

J
ulinha muito espertinha, está quase em idade escolar e até me pediu pra não falar.
Ela queria mesmo era esconder, mas eu não vou ficar sem dizer.
Ela começa até a espernear, mas eu vou ter de falar!

Julinha, aquela menina xereta, ainda chupa chupeta!

Contei e está escrito, porque Julinha assim permitiu, em troca de um pirulito.
Conforme havia dito, Julinha chupa pirulito. (E chupeta também...)
Não vem que não tem, Julinha já está grandinha, vai entrar na escolinha,
no ano que vem!
E a chupeta? Deve entrar pra escola também!

Vai ser uma chupeta bem informada, inteligente, educada.
Só não sei como será, a malhação da meninada.
Julinha, minha filhinha, se eu fosse você, jogava longe essa chupeta.
Ia pra escola aprender a escrever pra dar o troco nessa autora xereta,
que cismou de implicar com a sua chupeta.

Kelly Vyanna.

Leia mais!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

História de hoje...

A CHUPETA (parte I)

Julinha tem três anos e ainda chupa chupeta. Sua mãe bem que tentou evitar que ela ficasse com essa mania, mas tia Mariana fez questão de comprar e entregar uma chupeta toda cor de rosa para sua primeira sobrinha quando ela ainda era um bebezinho.

A menina foi crescendo e não quis mais largar a chupeta. Muitas foram as tentativa, mas, chegando a noite, ela só conseguia dormir se tivesse a chupeta na boca.

Hoje, porém, tia Mariana fez Julinha dar adeus à chupeta. Convencida pela tia, a própria menina a jogou na lixeira. Depois, correu a brincar com suas amiguinhas, feliz e satisfeita. Resta saber como ela dormirá quando anoitecer e o lixeiro já tiver levado embora a sua chupeta...


Kelly Vyanna
Leia mais!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

História de hoje...

O Batom

Era o primeiro batom que aquela garota ganhava. Ela já usara o batom de sua mãe muitas vezes, mas aquele seria especial, porque pertencia a ela. E também porque era bem infantil, mais apropriado a sua idade, feito com produtos leves, naturais, que não lhe causariam irritações. Além disso, a embalagem era em formato de sorvete. De tão lindo e sugestivo dava até vontade de comê-lo.

Diante do espelho, ela não parava de rebocar a boca com aquele batom. Ás vezes passava a língua pelos lábios, experimentando o seu sabor, que era doce, com um cheirinho de morango. No entanto, ela estava cuidadosa, pois não queria danificá-lo.

Depois ela o guardava cuidadosamente numa bolsinha que usava a tiracolo, na qual só havia bujingangas. De instante em instante, porém, ela o retirava e reaplica nos lábios, sempre experimentando um pouquinho do seu sabor de morango.

A irmã mais nova, um bebê começando a dar os primeiros passos, só ficava observando. Sua mãe lhe dissera que ela ainda era muito nova para ganhar um igual. A menina concordava e imaginava que aquele bebê não entendia nada de batom e maquiagem, ao contrário dela, que já era uma mocinha.

Num momento de descuido, entretanto, a irmã mais nova encontrou a bolsa jogada sobre a cama e, dentro dela, o batom. Naquele breve instante, enquanto a menina se olhava descuidada ao espelho, a criança menor pegara o batom em formato de sorvete de dentro da bolsa, retirara a tampa e o mastigara completamente.

A menina chorou e chamou pela mãe, mas quando ela chegou, só deu tempo de retirar uma massa avermelhada e disforme de dentro da boca do bebê. O batom não existia mais.

Kelly Vyanna.
Leia mais!

domingo, 12 de setembro de 2010

História de hoje...

O Travesseiro

Desde que era um bebezinho aquela menina dormia com o mesmo travesseiro. Por várias vezes sua mãe tentou trocá-lo por um novo e mais adequado ao seu tamanho, pois ela crescera, mas ela sempre se recusava substituí-lo.

Gostava de dormir com aquele travesseiro que, para ela era o mais fofinho e cheiroso que havia. Onde quer que a menina fosse ela o carregava consigo para o caso de, sentindo soninho, poder recostar a cabeça sobre ele.

Um dia, sua família fez uma longa visita aos avós, passando na fazenda quase todo o período de férias. Claro que não esqueceram o travesseiro preferido da filha mais velha, para que ela se sentisse segura e confortável durante aqueles dias.

Foram as melhores férias que a menina já teve. A fazenda tinha inúmeros atrativos para uma criança de sua idade. Ela acordava bem cedinho, largava o travesseiro na cama e corria para o curral a esperar o leite quentinho que era tirado da vaca assim que amanhecia.

Depois de tomar o seu leite e o seu café e de comer os bolinhos que a avó fritava, ela ia brincar no quintal junto com a irmã mais nova e as primas. Elas inventavam brincadeiras divertidas e ficavam bastante tempo envolvidas num mundo de faz de conta provocado pelas sensações advindas da atmosfera do campo.

Entretanto, as férias chegaram ao fim e a família teve de voltar pra casa. Na hora de arrumar as malas, o travesseiro da menina acabou ficando para trás. Ninguém se lembrara de buscá-lo para guardar junto com as outras coisas no carro.

Somente à noite, na hora de dormir, foi que a menina se lembrou do travesseiro e queria porque queria encontrá-lo naquele momento. O pai lhe explicou com muita paciência que o travesseiro estava muito longe e ela teria de se conformar. Ela choramingou um pouco e demorou a pegar no sono. O pai lhe prometeu que assim que retornassem à fazenda, eles trariam o travesseiro de volta.

Passaram-se algumas semanas até que eles pudessem retornar lá. Todas as noites a menina dormia a sonhar com o antigo travesseiro. Ainda que lhe dissessem que o novo era muito melhor, ela ainda sentia falta daquele ao qual ela primeiro havia se habituado.

Quando chegou o dia de retornarem à fazenda, ela ficou contente em rever os avós, mas também porque finalmente teria o seu travesseiro preferido de volta. A primeira coisa que ela perguntou ao chegar foi a respeito do travesseiro. No entanto, estranhamente, ninguém sabia dizer onde ele estava.

Passado algum tempo, muito sem jeito, o avô confessou que havia entregue o travesseiro aos porcos. Uma porca dera cria e, sem saber da predileção da menina pelo travesseiro, ele o colocou junto aos porquinhos que sentiam frio. Era verdade que o travesseiro estava bem velhinho, mas entregá-lo aos porcos, foi uma surpresa bastante desagradável para aquela menina.

Ela ainda quis ver como ele havia ficado após tantas semanas sendo usado por porcos. Acreditava que, lavando-o direitinho ainda seria possível utilizá-lo. Logo que conseguiu distingui-lo no meio do chiqueiro, porém, ela percebeu que não tinha mais jeito. Nunca mais poderia utilizar aquele travesseiro de novo.

Ela se fingiu conformada para não desagradar os avós que a amavam reciprocamente, mas, no seu interior, ela nunca se esqueceu daquele episódio. E, mesmo adormecendo com travesseiros confortáveis, ela ainda sonhava com aquele que foi parar no chiqueiro.

Kelly Vyanna.

Leia mais!

sábado, 11 de setembro de 2010

História de hoje...

O Garfo

Uma menina ganhou de presente um garfo. Ela tinha três aninhos, estava aprendendo a usar os talheres e gostou muito do presente, pois era um garfinho especial, com formato delicado e de tamanho bem menor do que os garfos comuns que ela era acostumada a ver.

Desde então ela só comia com aquele garfinho. Aprendeu a usá-lo bem depressa, para a admiração dos avós que faziam questão de mostrar aos amigos e familiares como sua netinha era esperta. Até fotos eles tiraram da menina comendo com o seu garfinho.

Se era hora do almoço e o garfo não estava limpo, tinha que ser lavado rapidamente, pois ela não aceitava outro talher. Se era hora do jantar e ninguém encontrava o garfo, era uma choradeira com promessas de 'nunca mais vou comer'. Os pais ficavam desesperados e tentavam manter o garfinho sempre à disposição da sua princesinha.

Ela era uma ótima menina, obediente, educada, inteligente. Mas era apegada às suas coisas e tinha mania de comer só com aquele garfo. Ela se sentia especial, uma verdadeira princesa porque acreditava que somente ela no mundo todo tinha um garfo como aquele. Então, se desde que aprendera a usar os talheres, ela comia com um garfo especial, como poderia aceitar outro talher? Para ela, isso era algo inconcebível.

A menina cresceu, se tornou uma linda jovem, mas continuou com a mania do garfo. Mesmo quando convidou seu primeiro namorado a almoçar, ela usou o seu garfinho diferente. Não a incomodava o fato de somente ela usar um talher daquele, enquanto os outros comensais usavam talheres semelhantes.

E foi assim até que ela foi se tornando adulta e um dia encontrou um noivo que a amava e com ele pretendia se casar. Sabendo do quanto ela gostava daquele garfinho, o noivo, querendo agradá-la, encontrou um monte de garfinhos iguais aqueles para lhe presentear. Na verdade, aquele garfinho não era tão especial assim. Ele pertencia na realidade a uma empresa aérea falida, que não estava mais no mercado.

Quando ela viu os outros garfos, todos iguais ao seu, ele pareceu ter perdido a importância. Pior foi ficar sabendo a sua procedência que de especial não tinha nada. O noivo não entendeu a razão por que ela ficou tão decepcionada com o presente que ele tanto se empenhara em conseguir. Mas pelo menos, ela nunca mais quis comer com aquele garfinho e começou a aceitar os demais talheres da casa.

Quando eles se casaram ganharam de presente um maravilhoso faqueiro de prata que era usado quando recebiam visitas. No dia-dia comiam com seus talheres comuns. Quando tiveram o seu primeiro filho, no entanto, os garfinhos da empresa aérea reapareceram. A menina, agora uma mulher, os havia guardado, apesar da decepção. Mostrava-os para o filho e lhe contava esta história, relembrando o quanto aquele garfinho foi e continuava sendo especial para ela.

Kelly Vyanna.
Leia mais!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

História de hoje...

A Fonte

Juliana, linda menina de dez anos de idade. Ela usa parte dos cabelos presos em trança, à moda menina-moça, tem a pele clara e lisinha, olhos pequeninos, nariz arrebitado e um sorriso infantil encantador.

Ela é uma menina curiosa, que corre pelos quintais da fazenda onde vive, sempre à procura de brincadeiras e novas descobertas. Foi assim que Juliana chegou à fonte. Aquele parecia ser apenas mais um morro de mato verde, sem grandes atratividades. No entanto, a menina ouviu um barulhinho de água que se derrama e, aproximando-se de onde surgia o som, ela descobriu a fonte pequenina.

A água que jorrava da fonte era fria e límpida, então, o primeiro impulso de Juliana foi de beber daquela água. Com as mãos em concha encheu-as e engoliu rapidamente uns bons goles. Ela ficou satisfeita e decidiu que ali seria o seu lugar secreto. Sempre que quisesse parar um pouquinho e descansar, buscaria a fonte, tomaria de sua água fresquinha e ficaria à sombra, apreciando a paisagem e pensando na vida.

Kelly Vyanna.



Leia mais!

sábado, 21 de agosto de 2010

História de hoje...

A menina que roubava Lixos (parte II)

Quando você ouve falar de alguém que rouba lixos, você logo imagina que isso não pode ser sério, afinal, pensamos que o lixo é algo completamente descartável e, portanto, não pertence a ninguém. Para essa menina, no entanto, o lixo é uma caixa de possibilidades.

Ela vê o lixo, mas enxerga um mundo de criações advindas a partir dele. Mas esse não é o único motivo por que ela rouba lixos. O que move essa criança a cometer esse delito é o fato de que, para melhor estimular a sua imaginação, ela precisa de aventura.

Quanta aventura pode ter uma menina que nasceu e vive dentro de um apartamento? Talvez, fuçar o lixo dos vizinhos e transformá-los em artefatos seja algo realmente estimulante. Então, se você perceber que seu lixo anda sendo bolinado, pode ter sido um cão faminto, um gato ou um cavalo. Dependendo do que estiver faltando em sua lixeira, não caberá mais nenhuma dúvida, a menina que roubava lixos ataca outra vez.

Um esclarecimento final: a cada vez que a menina ataca uma lixeira ela pensa que aquela será a última vez, então ela logo se torna uma menina que roubava lixos. No entanto, essa sua decisão dura apenas o tempo de encontrar numa lixeira um objeto qualquer que aguce a sua criatividade. E, a partir daí, começa tudo outra vez.

Um dia ela se tornará de verdade a menina que roubava lixos e contará essa história, um pouco constrangida, talvez até usando um nome falso para disfarçar sua inclinação para mexer em coisas velhas e transformá-las em novas.

Mas se você encontrar por aí uma mulher com seus trinta anos, olhando de soslaio com um estranho interesse para lixeiras comuns, talvez você possa estar diante da menina que roubava lixos. Como se transformava o lixo que ela roubava, transformam-se agora as pessoas que ela encontra, das quais, por vezes ela rouba o coração.

Kelly Vyanna


Leia mais!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

História de hoje...

A menina que roubava lixos

Conheço uma menina que anda pelas ruas à cata de lixos. Eu sei, você vai pensar que ela é muito pobre e sobrevive do que encontra no lixo dos outros. Bem, com Liliane não é bem assim que acontece. Ela não é rica, mas também não é tão pobre. Liliane, na verdade, não precisa do lixo para sobreviver, no entanto, a sua criatividade é que se alimenta e sobrevive do que a menina encontra no lixo.

O lixo que é produzido em sua casa tornou-se insuficiente para abarcar toda a criatividade e empenho da menina na realização de suas ideias. Foi por isso que, aos nove anos de idade, Liliane começou a roubar o lixo dos vizinhos.

Os vizinhos mais conscientes e organizados facilitam a vida da Liliane, pois quando ela ataca suas lixeiras na surdina, ali encontra já separadinhos todos os materiais que ela precisa para criar seus artefatos.

Quando, de outro modo, há nas lixeiras comuns objetos imprescindíveis para o exercício de suas habilidades artesanais, o jeito é colocar uma luva e, apesar do nojo, separar do lixo orgânico aquele o qual para Liliane chega a ser uma necessidade.

É claro que a mãe de Liliande não sabe dessas suas contravenções, pois ela sempre tem uma desculpa convincente para justificar sua coleção de bujingangas. Ela também as lava com muito cuidado e as organiza em caixas separadas com adesivos. Depois, cada objeto advindo das lixeiras vão se agrupando e se tornando arte.

Além de artista, Liliane também é uma empreendedora. Muitas de suas criações ela consegue vender para os colegas em sala de aula. Com o dinheiro, a menina consegue mais tintas e materiais importantes para o aprimoramento de seus trabalhos.

Apesar da pouca idade, Liliane conseguiu obter uma compreensão muito maior do que a de muitos adultos em relação ao lixo. Um dia, quando todos alcançarem essa mesma consciência, vamos finalmente entender o sentido de existir uma menina tão fabulosa quanto Liliane, mas que tem o estranho costume de roubar lixo.

Kelly Vyanna

Leia mais!

domingo, 15 de agosto de 2010

História de hoje...

O Livro (parte II)

Numa linda casa vive uma menina que gosta de passar horas lendo histórias. Há em sua casa diversos tipos de livros com belas capas, letras douradas, muito coloridos e com desenhos magníficos.

Porém o livro que a menina mais gostava era também o mais simples de todos, mas continha uma fascinante narrativa. Era um livro grosso, de letras grandes, com inúmeras páginas de uma história emocionante.

Todas as noites antes de dormir ela o lia por um longo tempo e, desde que o ganhara, não se importava mais com os outros livros, pois aquele se tornara o seu preferido. Sua mãe ficava até meio chateada porque ela possuía livros caros e elaborados como verdadeiras obras de arte, mas esses pareciam à menina apenas enfeites que deveriam compor a estante.

Antes que ela terminasse a leitura do seu livro preferido, no entanto, aconteceu que a empregada fez uma faxina em seu quarto e, vendo que aquele livro  tinha aparência de velho e estava amassado de tanto ser manuseado, o jogou numa caixa de objetos a serem doados a crianças pobres.

Foi assim que a menina perdeu o livro que tanto gostava sem ter conhecido o final da sua história. Desde então o livro tem feito uma jornada, passando de mãos em mão, enquanto a menina o procura na esperança de dar continuidade à aventura que com ele foi iniciada. Até encontrá-lo ela terá feito inúmeras suposições para o desenlace da trama, exercitando sua imaginação e criatividade.


Leia mais!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

História de hoje...

A primeira escola

Luísa não tinha irmãozinhos pequenos e morava de frente a uma escola repleta de crianças. Ela tinha três anos e costumava ouvir as risadas e correrias vindas da escola. Da janela do seu quarto no segundo andar, ela podia ver o parquinho onde sempre havia crianças a brincar. Achava interessante vê-las todas vestidas da mesma forma, soltas e felizes num lugar cheio de brinquedos divertidos. Seu maior sonho era juntar-se a elas naquele "paraíso infantil." Mas sua mãe sempre lhe dizia que ela ainda era muito pequena para ir à escola e que esperasse mais um pouco.

Um dia, quando chegavam a casa, Luísa soltou das mãos da mãe e correu para o portão da escola, pendurando-se nele e pedindo que abrissem. Tudo que ela mais queria era o direito de entrar naquele espaço maravilhoso, reservado para crianças iguais a ela.

Foi então que sua mãe decidiu deixá-la visitar a escola para conhecê-la melhor. Luísa gostou de tudo: das salas aconchegantes, dos desenhos nas paredes, dos banquinhos coloridos... E principalmente, do sonho de aprender coisas novas.

Naquele dia ela foi matriculada. Viu sua mãe conversar longamente com o diretor a respeito de como seria sua vida dali para frente, mas ela mesma não foi ouvida. Aparentemente, ir para a escola era tudo o que ela queria e assim foi feito. Mas Luísa nem imaginava que, naquele momento, estaria trocando uma parte de seu dia com a mãe pela companhia de outras crianças e de uma professora que ela nunca tinha visto antes.

No primeiro dia ela estava bastante animada e foi para a escola muito contente. Tudo era novidade e ela se sentia entusiasmada. Vestir o uniforme, organizar os materiais novinhos, colocar o lanche na lancheira, tornaram-se atividades fascinantes.

Após uma semana, no entanto, Luísa cansou de ir à escola. A mãe não conseguia entender, mas a escola se transformara de repente no lugar mais enfadonho do mundo. Tudo o que Luísa queria agora era ter de volta as tardes que passava juntinho com a mãe. De fato ela ainda era muito pequena para passar tanto tempo longe do colinho da mamãe e sentiu sua falta. A escola era um bonito e alegre lugar, mas Luísa deu preferência à sua casa e aos carinhos da mãe.

Quando cresceu um pouquinho mais, Luísa entendeu que precisava da escola, então retornou com a mesma alegria, porém com o compromisso de aprender, interagir e se tornar uma estudante aplicada, o que ela cumpriu com esmero.

Kelly Vyanna
Leia mais!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O tombo

Era um dia de tempestade. Priscila vestiu seu uniforme escolar, torcendo para que continuasse chovendo, o que a impediria de ir à escola. No entanto, enquanto ela se arrumava, a chuva foi diminuindo até parar.

Priscila gostava da escola, mas naquele dia em especial, ela gostaria de faltar. O motivo era que sua tia estava em casa e a menina apreciava muito a companhia dela. A tia de Priscila era alegre, tinha sempre um assunto animado para falar e, além disso, fazia guloseimas deliciosas.

No quarto, enquanto Priscila terminava de vestir o uniforme, podia sentir o cheiro do chocolate quente e do bolo que estava sendo preparado. O relógio mostrava que já era hora da menina sair, ou chegaria atrasada, mas tudo o que ela mais queria era esperar que aquele lanche ficasse pronto. Não apenas porque queria degustá-lo, mas principalmente pelo prazer de sentar-se por horas à mesa junto com a tia, comendo bolo com chocolate quente, falando abobrinhas e rindo á toa. Priscila sabia que não havia tempo para isso, na verdade, teria de sair sem ao menos provar um pedacinho do bolo que espalhava um cheirinho gostoso por toda casa. 

Ao abrir a porta para sair, Priscila recebeu uma rajada de vento frio que fez esvoaçar o seu cabelo. Enquanto caminhava contornando as poças d'água que ficaram após a chuva, ela pensava no bolo, no chocolate e na risada da tia. Tudo isso estava ficando para trás, pois com o peso da mochila cheia de livros nas costas ela seguia rumo á escola.

Tão distraída ela estava que, de repente, escorregou e foi cair numa poça de lama. Sujou o uniforme e a mochila e ainda se tornou alvo das risadas das outras crianças. Teve muita vontade de chorar, mas se segurou para evitar mais constrangimento. Engolindo o choro, se levantou e tentou livrar-se da sujeira, porém quanto mais tentava se limpar, mais enlameada ficava.

Percebeu então que o melhor seria voltar para casa. Não podia chegar á escola toda suja de lama como estava. Apesar disso, teve receio de levar bronca da mãe. Na certa ela  a repreenderia por andar distraída.

Á porta de casa, Priscila se sentia triste e envergonhada, as lágrimas já escorriam de seus olhos, por ter de retornar tão suja e humilhada, esperava levar uma grande bronca. Quando a mãe a avistou, no entanto, correu depressa até ela, perguntando-lhe se estava bem e encaminhando-a ao banheiro para se lavar. Não a repreendeu, mas a amparou e, após o banho, Priscila pôde sentar-se á mesa que estava sendo posta naquele momento.

Um pedaço de bolo e uma xícara de chocolate quente jamais foram tão deliciosos quanto naquele dia. Priscila se sentiu feliz e acolhida junto á mãe e á tia e elas deram boas risadas do tombo.

Kelly Vyanna.

 


Leia mais!