Mostrando postagens com marcador Histórias fantásticas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Histórias fantásticas. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 31 de maio de 2011

Capim Barba de Velho

Todos os dias pela manhã o rapaz se olhava no espelho e percebia, desanimado, que a barba estava por fazer. Ensaboava o rosto e passava a lâmina com cuidado, realizando um minucioso trabalho para deixar o rosto bem liso. No dia seguinte, porém, a barba espessa já apontava de novo. Era pior do que o capim do roçado. Não importavam as estações do ano, se era o tempo das águas ou da seca; ela aparecia todos os dias e, não tratasse de eliminá-la, tomava-lhe o rosto com uma rapidez impressionante.

Um dia, decidiu parar de barbear-se. Juntou lâminas, aparelhos, espumas, loção e lançou tudo num cesto de lixo. Saiu sentindo-se completamente livre; no rosto, apenas uma coloração sugestiva de barba por fazer. No segundo dia, podia sentir a aspereza dos pêlos ao deslizar as mãos no rosto. A sensação era boa e ele continuava resoluto: nunca mais voltaria a se barbear.

Cada dia que passava sua barba crescia mais e mais. Assim passaram-se os anos e ele se tornou barbudo. A barba lhe atingia a altura do peito e ele nem mesmo a aparava. Depois, ela lhe roçava o umbigo, mas ele não se importava. Fazia-lhe cócegas, dizia. Então ela lhe chegou aos joelhos e, com o passar dos anos, já lhe roçava os pés. Pouco tempo depois, teve de ir enrolando as pontas da barba, pois já tropeçava nela ao caminhar.

Envelheceu, a barba tomou uma coloração acinzentada e ele a carregava enrolada debaixo dos braços com alguma dificuldade. Mesmo velhinho a barba não parava de crescer. Quando dormia na rede, fazia dela um imenso travesseiro e, se fazia frio, ela lhe servia de cobertor.

Um dia, já bem velhinho, adormeceu enrolado na barba e nunca mais acordou. Os parentes e vizinhos lhe encomendaram um caixão e se juntaram no velório para comentar trivialidades. Ao tentarem colocar o corpo no caixão, ele simplesmente não cabia com a barba. Se conseguiam colocar toda a barba, não sobrava espaço para o corpo; se colocavam o corpo, a barba ficava de fora. Ficaram assim por algum tempo; ora colocavam o corpo no caixão, ora tiravam o corpo e colocavam a barba.

Era necessário realizar-se o sepultamento do corpo, então, decidiram fechar o caixão com a barba a sair pelas laterais. E era tão longa e espessa que os sete metros de profundidade da cova quase não foram suficientes para cobri-la. Algumas poucas pás de terra e o caixão estava coberto.

Passaram-se os dias e quem visitava o cemitério começou a notar um capim acinzentado, seco a alastrar-se pela cova. E o capim não parava de crescer, tomando conta de todo o cemitério. O coveiro até que aparava, mas o lugar ia sendo tomado pelo capim, que passou a ser chamado capim Barba de Velho.

Kelly Vyanna.

Licença Creative Commons: permitir a cópia, distribuição e execução da obra, desde que lhe sejam atribuídos os devidos créditos.

A proteção anticópia é desativada.
Para saber mais detalhes, por favor visite o site da Creative Commons Brasil.


Leia mais!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

As Crianças e a Mãe Aparecida

Num orfanato viviam muitas crianças abandonadas pelos mais diversos motivos. Algumas delas estavam ali desde recém-nascidas, sem nunca terem conhecido suas mães. Por mais que as mulheres que se dispunham a cuidar delas o fizessem com carinho e dedicação, não podiam suprir a falta que uma mãe faz e isso era facilmente detectado no rostinho de cada uma delas.

Entre essas crianças que nunca conheceram suas mães, havia um menino negrinho extremamente rebelde. Ele estava crescendo e quase nenhum casal demonstrava interesse em adotá-lo, o que causava grande preocupação aos administradores do orfanato. Temiam que ele nunca conseguisse encontrar uma família e já não sabiam o que fazer para orientá-lo corretamente, devido ao seu gênio difícil.

Uma vez, no dia das crianças, fizeram uma pequena festa no orfanato, com brincadeiras, bolo e doces. Muitos casais visitavam o local naquele dia e as crianças estavam felizes e esperançosas de encontrarem uma família. Somente o negrinho continuava emburrado e relutante em participar das atividades promovidas.

Na verdade, ele agia assim porque se sentia muito rejeitado. Apesar de ser apenas uma criança, ele percebia facilmente que suas chances de ser adotado eram cada vez menores e seus seis anos de idade pareciam fazer dele um produto com prazo de validade vencido.

No dia das crianças, um casal que visitava o orfanato demonstrou grande interesse em adotar uma menina negra, pela qual se encantaram. A menina ficara órfã aos dois anos de idade e já completara seis. Depois que o casal foi embora, ela fez um desenho para representar a mulher também negra que intencionava adotá-la e beijava este desenho, quando o menino, ressentido, arrancou-o de suas mãos e correu ao banheiro, rasgou o desenho em duas partes, separando a parte da cabeça da parte do corpo. A menina chorava e pedia seu desenho de volta, mas ele o jogou dentro do vaso sanitário e deu descarga.

Inexplicavelmente, o papel não foi levado junto com a água, ao invés disso, grudou nas bordas do sanitário e a menina o retirou de lá completamente seco e intacto. Uma voluntária que tomava conta das crianças e assistiu toda a cena ficou impressionada, sentou-se junto às crianças no chão do banheiro mesmo e lhes contou a história de Nossa Senhora Aparecida. Depois fez com eles uma oração, pedindo que aquelas duas crianças pudessem encontrar um lar definitivo, onde tivessem harmonia e paz para crescerem bem.

No dia seguinte, a mulher negra que estivera visitando o orfanato no dia das crianças retornou e lhes contou um sonho em que Nossa Senhora Aparecida vinha lhe trazendo pelas mãos um casal de crianças negras, lhe pedindo que tomasse conta daquelas duas crianças. Então, ela e seu marido decidiram adotar a menina e o menino negros de seis anos de idade para que formassem uma família mais completa.

Quando soube da história do desenho, eles mandaram emoldurar e penduraram na parede do quarto das crianças para que sempre se lembrassem daquele episódio que marcou a vida de todos eles para sempre.

Kelly Vyanna. Membro da ACEIB/DF. Disponível em: recantodasletras.uol.com.br, www.aceib-gremioliterario-df.blogspot.com ou http://kelly-literatura.blogspot.com/

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

Leia mais!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

História de hoje...

O Quarto Proibido

Mariana gosta muito de ficar na casa da vovó. Lá é bem espaçoso e a menina encontra inúmeras possibilidades de brincadeiras e também de travessuras.

Um dos cômodos da casa é proibido. Mariana não pode entrar lá de jeito nenhum e isso mais aguça a sua curiosidade. Quando passa por perto do quarto proibido ela sempre tenta espiar lá dentro. Se encontra a porta entreaberta, procura descobrir algum detalhe que lhe ajude a desvendar o mistério. Se, no entanto, a porta está fechada, fica imaginando coisas fantásticas.

Na imaginação de Mariana, dentro do quarto proibido há bruxas com caldeirões de porção mágica; há fantasmas deslizantes no ar; tarântulas, sapos e lagartos. Mas também pode haver um reino encantado, com príncipes e princesas, cavalos alados, pôneis, cisnes em lagoas douradas, rosas desabrochando e estrelas cadentes.

Mariana se sente muito dividida: ás vezes deseja adentrar o quarto e saciar a sua curiosidade, às vezes prefere manter-se distante daquele mundo desconhecido que habita o quarto. Então, sempre que vai à casa da vovó, Mariana tem a expectativa de a porta se abrir a desvendar-lhe um mundo emocionante. Mal sabe ela, que a porta fechada é justamente a entrada do mundo mágico que só existe na sua imaginação.

Kelly Vyanna.

Leia mais!

domingo, 19 de setembro de 2010

História de hoje...

O Fantasma e o Valentão

Havia na cidade um garoto que tinha fama de valentão. Ele era mais alto que os outros estudantes da escola e dizia não ter medo de nada.

Para provar a sua valentia, ele estava sempre se metendo em confusão. Desafiava até os professores e muitas vezes seus pais eram chamados na escola por causa das brigas que ele provocava.

Infelizmente, o valentão não se emendava. E o pior, era que tinha o aval do próprio pai que, ao invés de refrear sua agressividade, a estimulava com palavras de incentivo quando ele batia em alguém ou de censuras quando ele chegava em casa machucado. Ele já estava avisado: se chegasse em casa ferido por causa das brigas, apanharia de novo.

Certa vez, no entanto, o valentão foi desafiado a passar a noite numa casa mal assombrada. Mentiu aos pais que iria ficar na casa do primo e, de lá, fugiram os dois até a casa mal assombrada.

Á porta do casarão abandonado, os dois meninos pararam e, sem que eles a tocassem, a porta se abriu com um rangido. Nesse momento, o primo disparou a correr. O valentão, porém, decidiu avançar e adentrou o casarão de peito estufado.

Quando já estava lá dentro, a porta se fechou bruscamente e ele não conseguiu mais abri-la. Foi então que o valentão começou a ter medo como nunca antes em toda a sua vida.

O que aconteceu lá dentro do casarão, ninguém nunca ficou sabendo, mas no dia seguinte, o valentão havia se modificado. Estava bem mais tranquilo, gentil e educado. Nunca mais quis saber de confusão.

A verdade, eu vou revelar a vocês: o responsável por aquela transformação foi o tio do garoto, que percebeu os planos dos meninos e chegou primeiro ao casarão. Naquela noite ele se fez passar por um fantasma e pregou no valentão um grande susto.

Depois revelou a ele a verdade, os dois conversaram até quase o amanhecer e, finalmente, o garoto entendeu que ser valente era muito mais do que se meter em confusão.

Apesar das mudanças em suas atitudes, o garoto nunca deixou de ser valente, apenas aprendeu que haveria ao longo de sua vida, muitas ocasiões para demonstrar a sua valentia, usando-a para o bem e, principalmente, de forma prudente.

Kelly Vyanna.

Licença Creative Commons: permitir a cópia, distribuição e execução da obra, desde que lhe sejam atribuídos os devidos créditos.A proteção anticópia é desativada. Para saber mais detalhes, por favor visite o site da Creative Commons Brasil.

Leia mais!

sábado, 18 de setembro de 2010

História de hoje...

O Cientista e a morte

Lá estava o cientista em seu laboratório, tentando fazer uma experiência, quando, de repente, ocorre uma explosão. Devido ao susto, ele bate com a cabeça e desmaia. Ao acordar, se deparou com a Morte que o olhava, esperando-o. Ela vai logo avisando que está ali para levá-lo deste mundo.

O cientista resolve convercer a Morte a deixá-lo por mais algum tempo, pelo menos até que ele conseguisse terminar a sua experiência. Ela concorda, mas avisa que, assim que ele conseguisse concluir os seus trabalhos, ela retornaria.

Então, o cientista passou a enrolar e quase nunca trabalhava em seus experimentos. Ao invés disso, ia à praia, se divertia, dançava, jogava futebol. Vivia muito bem e feliz até que um dia uma grande fome assolou a cidade onde ele morava. As pessoas começaram a sofre muito por causa daquele problema.

O cientista entrou então no seu laboratório e trabalhou. Naquele dia não houve explosões, nem muita confusão, mas, finalmente ele conseguiu realizar o seu trabalho final, que tinha como objetivo encontrar a fórmula que acabasse com a fome naquela cidade.

Foi a experiência mais simples que ele já tinha feito, mas precisou da ajuda de todos os moradores, que se reuniram e passaram a se ajudar mutuamente. Unidos, todos juntos trabalharam em prol da comunidade em que viviam, partilhando do que tinham, ajudando uns aos outros.

Quando a Morte voltou ao cientista, ele a esperava feliz, pois havia feito tudo o que mais queria e ainda concluiu o mais gratificante experimento de toda sua vida.

Kelly Vyanna.
Leia mais!

domingo, 29 de agosto de 2010

História de hoje...

O Menino que caiu no dicionário

O avô de Danilo tem em sua casa uma enorme biblioteca com estantes altas lotadas de livros. Sempre que Danilo visita o avô o encontra na biblioteca, tomando uma xícara de chá e lendo um livro.

O menino abre a porta devagarinho e, logo que é notado, pede licença para entrar. Com o avô, Danilo tem que ser muito educado, pois ele é um homem bastante exigente.

Apesar de já ter completado seis anos de idade, Danilo ainda não consegue pronunciar as palavras corretamente. O avô lhe conta histórias e lhe ensina palavras diferentes, mostrando-lhe a forma correta de pronunciá-las. Além disso, os dois sempre acabam tomando leite com biscoitos de nata, que o menino adora.

Um dia, chegando à biblioteca, Danilo não encontrou o avô. Ficou indeciso quanto se deveria entrar ou não. Já se decidira a se retirar, quando reparou num enorme livro que estava aberto e, estranhamente, disposto no chão, bem no meio da biblioteca.

Curioso, Danilo foi entrando meio ressabiado e parou bem em frente ao grande livro. Ele era cheio de palavras e o menino ainda não aprendera a ler todas elas. Mas ele se sentiu tão atraído por elas, que, de repente, se deixou cair no dicionário. Ele realmente caiu lá dentro do livro e, daí por diante, começou a pular de palavra em palavra e cada uma lhe contava uma história.

Bem, Danilo iniciou aí uma longa trajetória que você poderá ler por completo no livro "O menino que caiu no dicionário", de Kelly Vyanna.

Kelly Vyanna.


Leia mais!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

História de hoje...

Volga

Era noite e ouvia-se apenas o sopro do vento nas folhas das árvores. Tudo estava calmo na floresta desencantada - Ah, me explico: a floresta ganhou esse nome porque outrora, no tempo dos contos de fadas, um feiticeiro maligno jogou um terrível encanto sobre ela. Por causa disso, todas as árvores secaram, o sol parou de brilhar e uma neve intermitente surgiu por toda parte. Os animaizinhos que habitavam a floresta ficaram congelados para sempre, estáticos da forma como estavam no dia em que o feitiço começou.

Como todo mal tem também o seu castigo, o terrível feiticeiro acabou perdendo toda sua magia e foi finalmente vencido por um lindo e valente cavalo alado chamado Volga. Foi uma árdua batalha a que eles travaram, porém com a ajuda dos duendes do vale distante, Volga derrotou o feiticeiro que, após perder sua magia, desapareceu e nunca mais foi visto.

Então, a floresta voltou a ser como era antes, cheia de alegrias. As flores desabrocharam, o sol voltou a brilhar e todos os seus habitantes despertaram cheios de felicidade. Daí por diante, ela passou a se chamar Floresta Desencantada.

Infelizmente, Volga saiu muito ferido daquela batalha. Para ajudá-lo a sobreviver, os duendes do vale distante, o levaram e esconderam na caverna do adormecimento, onde ele deverá ficar por muito tempo, até que todas as suas feridas sejam curadas.

Enquanto isso, os habitantes da floresta, vivem suas vidas e preparam uma grande festa para o dia do retorno. Então, durante a noite, tudo fica preparado para o grande dia. Esse será um dia de celebração pela vitória de Volga contra o feiticeiro e também de sua volta à Floresta Desencantada. Quando isso acontecerá ninguém sabe, mas jamais deixarão de homenagear Volga, um verdadeiro campeão.

Leia mais!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

História de hoje...

O Extra Terrestre

Dudu é muito curioso e fascinado por histórias de ET’s. No dia do seu aniversário ele ganhou de seu avô um telescópio. Desde então passa longas horas no quintal espionando o céu. Observa  as estrelas, inventa nomes de planetas, matuta como que o homem conseguiu chegar à lua.

Numa noite, já era a terceira vez que seu pai o mandava entrar, pois estava ficando tarde. A mãe o advertiu pela enésima vez que ele poderia ficar doente se continuasse no sereno, mas apesar de todos os apelos dos pais para que ele guardasse o telescópio e fosse dormir, o menino permanecia eufórico, sem conseguir tirar os olhos do céu.

O motivo era que Dudu pensou ter visto um Ovni: Objeto Voador Não Identificado e precisava ficar atento para toda movimentação no céu. Ele vira luzes piscando e se aproximando, depois ficando paradas, depois girando, depois ondulando... Os pais tentaram convencê-lo de que o que ele havia visto era apenas um avião, mas Dudu não concordava, estava certo de ter visto uma nave espacial, possivelmente lotada de Extra Terrestres.

Com custo, seu pai o fez guardar o telescópio, vestir um pijama, escovar os dentes e deixar suas investigações espaciais para o dia seguinte. Dudu, muito contrariado, já ia deitar-se quando sentiu sede e resolveu ir sozinho à cozinha pegar um copo d’água e aproveitar para tentar dar uma última espiadinha através da vidraça. Ela ficava localizada exatamente na direção onde, anteriormente, ele vira as luzes a piscar.

Lá estava ele, de pé sobre um banquinho a espionar o céu através da vidraça. Foi quando ouviu um barulho estrondoso e uma sombra temível e arrepiada passar rapidamente. Dudu quase caiu do banco de tanto medo, correu para o seu quarto com o coração aos saltos e só se tranquilizou quando ouviu a voz da mãe que se levantara e dizia: “o gato derrubou meu jarro de flores!”

Kelly Vyanna
Leia mais!