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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

História de hoje...

A CHUPETA (parte II)

J
ulinha muito espertinha, está quase em idade escolar e até me pediu pra não falar.
Ela queria mesmo era esconder, mas eu não vou ficar sem dizer.
Ela começa até a espernear, mas eu vou ter de falar!

Julinha, aquela menina xereta, ainda chupa chupeta!

Contei e está escrito, porque Julinha assim permitiu, em troca de um pirulito.
Conforme havia dito, Julinha chupa pirulito. (E chupeta também...)
Não vem que não tem, Julinha já está grandinha, vai entrar na escolinha,
no ano que vem!
E a chupeta? Deve entrar pra escola também!

Vai ser uma chupeta bem informada, inteligente, educada.
Só não sei como será, a malhação da meninada.
Julinha, minha filhinha, se eu fosse você, jogava longe essa chupeta.
Ia pra escola aprender a escrever pra dar o troco nessa autora xereta,
que cismou de implicar com a sua chupeta.

Kelly Vyanna.

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terça-feira, 14 de setembro de 2010

História de hoje...

A CHUPETA (parte I)

Julinha tem três anos e ainda chupa chupeta. Sua mãe bem que tentou evitar que ela ficasse com essa mania, mas tia Mariana fez questão de comprar e entregar uma chupeta toda cor de rosa para sua primeira sobrinha quando ela ainda era um bebezinho.

A menina foi crescendo e não quis mais largar a chupeta. Muitas foram as tentativa, mas, chegando a noite, ela só conseguia dormir se tivesse a chupeta na boca.

Hoje, porém, tia Mariana fez Julinha dar adeus à chupeta. Convencida pela tia, a própria menina a jogou na lixeira. Depois, correu a brincar com suas amiguinhas, feliz e satisfeita. Resta saber como ela dormirá quando anoitecer e o lixeiro já tiver levado embora a sua chupeta...


Kelly Vyanna
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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

História de hoje...

O Batom

Era o primeiro batom que aquela garota ganhava. Ela já usara o batom de sua mãe muitas vezes, mas aquele seria especial, porque pertencia a ela. E também porque era bem infantil, mais apropriado a sua idade, feito com produtos leves, naturais, que não lhe causariam irritações. Além disso, a embalagem era em formato de sorvete. De tão lindo e sugestivo dava até vontade de comê-lo.

Diante do espelho, ela não parava de rebocar a boca com aquele batom. Ás vezes passava a língua pelos lábios, experimentando o seu sabor, que era doce, com um cheirinho de morango. No entanto, ela estava cuidadosa, pois não queria danificá-lo.

Depois ela o guardava cuidadosamente numa bolsinha que usava a tiracolo, na qual só havia bujingangas. De instante em instante, porém, ela o retirava e reaplica nos lábios, sempre experimentando um pouquinho do seu sabor de morango.

A irmã mais nova, um bebê começando a dar os primeiros passos, só ficava observando. Sua mãe lhe dissera que ela ainda era muito nova para ganhar um igual. A menina concordava e imaginava que aquele bebê não entendia nada de batom e maquiagem, ao contrário dela, que já era uma mocinha.

Num momento de descuido, entretanto, a irmã mais nova encontrou a bolsa jogada sobre a cama e, dentro dela, o batom. Naquele breve instante, enquanto a menina se olhava descuidada ao espelho, a criança menor pegara o batom em formato de sorvete de dentro da bolsa, retirara a tampa e o mastigara completamente.

A menina chorou e chamou pela mãe, mas quando ela chegou, só deu tempo de retirar uma massa avermelhada e disforme de dentro da boca do bebê. O batom não existia mais.

Kelly Vyanna.
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domingo, 12 de setembro de 2010

História de hoje...

O Travesseiro

Desde que era um bebezinho aquela menina dormia com o mesmo travesseiro. Por várias vezes sua mãe tentou trocá-lo por um novo e mais adequado ao seu tamanho, pois ela crescera, mas ela sempre se recusava substituí-lo.

Gostava de dormir com aquele travesseiro que, para ela era o mais fofinho e cheiroso que havia. Onde quer que a menina fosse ela o carregava consigo para o caso de, sentindo soninho, poder recostar a cabeça sobre ele.

Um dia, sua família fez uma longa visita aos avós, passando na fazenda quase todo o período de férias. Claro que não esqueceram o travesseiro preferido da filha mais velha, para que ela se sentisse segura e confortável durante aqueles dias.

Foram as melhores férias que a menina já teve. A fazenda tinha inúmeros atrativos para uma criança de sua idade. Ela acordava bem cedinho, largava o travesseiro na cama e corria para o curral a esperar o leite quentinho que era tirado da vaca assim que amanhecia.

Depois de tomar o seu leite e o seu café e de comer os bolinhos que a avó fritava, ela ia brincar no quintal junto com a irmã mais nova e as primas. Elas inventavam brincadeiras divertidas e ficavam bastante tempo envolvidas num mundo de faz de conta provocado pelas sensações advindas da atmosfera do campo.

Entretanto, as férias chegaram ao fim e a família teve de voltar pra casa. Na hora de arrumar as malas, o travesseiro da menina acabou ficando para trás. Ninguém se lembrara de buscá-lo para guardar junto com as outras coisas no carro.

Somente à noite, na hora de dormir, foi que a menina se lembrou do travesseiro e queria porque queria encontrá-lo naquele momento. O pai lhe explicou com muita paciência que o travesseiro estava muito longe e ela teria de se conformar. Ela choramingou um pouco e demorou a pegar no sono. O pai lhe prometeu que assim que retornassem à fazenda, eles trariam o travesseiro de volta.

Passaram-se algumas semanas até que eles pudessem retornar lá. Todas as noites a menina dormia a sonhar com o antigo travesseiro. Ainda que lhe dissessem que o novo era muito melhor, ela ainda sentia falta daquele ao qual ela primeiro havia se habituado.

Quando chegou o dia de retornarem à fazenda, ela ficou contente em rever os avós, mas também porque finalmente teria o seu travesseiro preferido de volta. A primeira coisa que ela perguntou ao chegar foi a respeito do travesseiro. No entanto, estranhamente, ninguém sabia dizer onde ele estava.

Passado algum tempo, muito sem jeito, o avô confessou que havia entregue o travesseiro aos porcos. Uma porca dera cria e, sem saber da predileção da menina pelo travesseiro, ele o colocou junto aos porquinhos que sentiam frio. Era verdade que o travesseiro estava bem velhinho, mas entregá-lo aos porcos, foi uma surpresa bastante desagradável para aquela menina.

Ela ainda quis ver como ele havia ficado após tantas semanas sendo usado por porcos. Acreditava que, lavando-o direitinho ainda seria possível utilizá-lo. Logo que conseguiu distingui-lo no meio do chiqueiro, porém, ela percebeu que não tinha mais jeito. Nunca mais poderia utilizar aquele travesseiro de novo.

Ela se fingiu conformada para não desagradar os avós que a amavam reciprocamente, mas, no seu interior, ela nunca se esqueceu daquele episódio. E, mesmo adormecendo com travesseiros confortáveis, ela ainda sonhava com aquele que foi parar no chiqueiro.

Kelly Vyanna.

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sábado, 11 de setembro de 2010

História de hoje...

O Garfo

Uma menina ganhou de presente um garfo. Ela tinha três aninhos, estava aprendendo a usar os talheres e gostou muito do presente, pois era um garfinho especial, com formato delicado e de tamanho bem menor do que os garfos comuns que ela era acostumada a ver.

Desde então ela só comia com aquele garfinho. Aprendeu a usá-lo bem depressa, para a admiração dos avós que faziam questão de mostrar aos amigos e familiares como sua netinha era esperta. Até fotos eles tiraram da menina comendo com o seu garfinho.

Se era hora do almoço e o garfo não estava limpo, tinha que ser lavado rapidamente, pois ela não aceitava outro talher. Se era hora do jantar e ninguém encontrava o garfo, era uma choradeira com promessas de 'nunca mais vou comer'. Os pais ficavam desesperados e tentavam manter o garfinho sempre à disposição da sua princesinha.

Ela era uma ótima menina, obediente, educada, inteligente. Mas era apegada às suas coisas e tinha mania de comer só com aquele garfo. Ela se sentia especial, uma verdadeira princesa porque acreditava que somente ela no mundo todo tinha um garfo como aquele. Então, se desde que aprendera a usar os talheres, ela comia com um garfo especial, como poderia aceitar outro talher? Para ela, isso era algo inconcebível.

A menina cresceu, se tornou uma linda jovem, mas continuou com a mania do garfo. Mesmo quando convidou seu primeiro namorado a almoçar, ela usou o seu garfinho diferente. Não a incomodava o fato de somente ela usar um talher daquele, enquanto os outros comensais usavam talheres semelhantes.

E foi assim até que ela foi se tornando adulta e um dia encontrou um noivo que a amava e com ele pretendia se casar. Sabendo do quanto ela gostava daquele garfinho, o noivo, querendo agradá-la, encontrou um monte de garfinhos iguais aqueles para lhe presentear. Na verdade, aquele garfinho não era tão especial assim. Ele pertencia na realidade a uma empresa aérea falida, que não estava mais no mercado.

Quando ela viu os outros garfos, todos iguais ao seu, ele pareceu ter perdido a importância. Pior foi ficar sabendo a sua procedência que de especial não tinha nada. O noivo não entendeu a razão por que ela ficou tão decepcionada com o presente que ele tanto se empenhara em conseguir. Mas pelo menos, ela nunca mais quis comer com aquele garfinho e começou a aceitar os demais talheres da casa.

Quando eles se casaram ganharam de presente um maravilhoso faqueiro de prata que era usado quando recebiam visitas. No dia-dia comiam com seus talheres comuns. Quando tiveram o seu primeiro filho, no entanto, os garfinhos da empresa aérea reapareceram. A menina, agora uma mulher, os havia guardado, apesar da decepção. Mostrava-os para o filho e lhe contava esta história, relembrando o quanto aquele garfinho foi e continuava sendo especial para ela.

Kelly Vyanna.
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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

História de hoje...

O lápis

Era uma vez um lápis que esperava por uma criança para com ele escrever as primeiras palavras. Enquanto aguardava, ele imaginava que lindas palavras poderiam sair de seu grafite. No local onde ele estava, ouvia muitas histórias e via bloquinhos lotados de anotações. Também via umas notas de dinheiro e se admirava do quanto elas eram procuradas. Todos os dias havia renovações na gavetinha do caixa onde elas ficavam.

Um dia ele perguntou a uma nota de R$ 1,00 que acabava de chegar, o motivo por que tantos procuravam por aquelas notas que, como ele, eram feitas de celulose. A nota sorriu desdenhosa e respondeu que elas realizavam os sonhos das pessoas, diferentemente de um lápis, com o qual, muitas vezes se escrevem dívidas que desfazem as esperanças de ver sonhos se realizarem.

Ele não pensava em anotar apenas dívidas, mas sabia que, anotando-as poderia estar ajudando na organização do orçamento de alguém que sonha. Além disso, ele também tinha os seus próprios sonhos, singelos, que não careciam de orçamentos caros.

O sonho daquele lápis era encontrar uma criança em fase de alfabetização. Seria maravilhoso poder ajudá-la no aprendizado de suas primeiras letrinhas. Ajudá-la a formar palavras e registrá-las em papel.

Ás vezes ele queria ser levado por um casal que trocaria cartas e mensagens apaixonadas. Lindas palavras de amor seriam gravadas por ele. Talvez elas pudessem durar uma vida inteira. Passados os anos, o casal, já velhinho, ainda poderia ler o que foi escrito com a ajuda de um simples lápis.

Aquele lápis só imaginava boas palavras para serem escritas. Um dia, no entanto, o comércio onde ele estava sendo vendido foi assaltado. Ele ouviu palavras duras, ameaçadoras e teve muito medo de ser levado por um criminoso que, com ele, escrevesse pedidos de regate e ameaças a pessoas bondosas. Ele nunca antes havia imaginado servir para uma vil função.

O bandido chegou bem perto dele, pois ele estava exposto próximo ao caixa. O lápis sentiu um tremor em suas fibras de celulose, mas o bandido esticou o braço e abriu rapidamente o caixa, retirou de lá outros tipos de celulose, mais maleáveis que ele, ou seja, as notas de dinheiro e se foi.

O lápis então, ficou aliviado e percebeu que, na sua humildade, ele também poderia servir para realizar sonhos. As notas que agora estavam sendo levadas se tornaram a causa de um pesadelo.

Kelly Vyanna.
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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

História de hoje...

A câmera fotográfica (parte II)


Aquela era a primeira cãmera fotográfica que a família adquiria. Como tudo que é novidade, havia até discussão para ver quem poderia manuseá-la mais vezes. Todos queriam usufruir do objeto e fotografas as coisas de que mais gostavam.

Pena que a máquina não era das melhores, ao contrário, era muito ruim. A definição das fotos, inclusive, era péssima. Ainda assim, por ser novidade e também por ser a única que eles conseguiram comprar, disputavam-na a todo instante. Com ela faziam fotos até mesmo do chão da cozinha.

Aconteceu, porém que, ao verificar no álbum da memória da câmera, a mãe percebeu uma foto muito estranha. Parecia de um bebê, mas ninguém tinha visto uma criança como aquela nos arredores. Era um bebê desconhecido. A imagem estava ruim, embassada, mas percebia-se que fora tirada na sala de estar daquela família.

O mistério era que nenhum bebê tinha estado na casa na data que marcava no mostrador. E a família começou a ficar assustada. A foto foi apelidada de "o bebê fantasma", todos que viam estranhavam e alguns diziam sentir arrepios.

Um dia, porém, o mistério foi descoberto. A mãe encontrou um poster antigo de sua filha mais velha, comparou com o bebê da foto e percebeu se tratar da mesma imagem. O filho caçula foi quem fotografou a imagem antiga que, colada à parede da sala e com definição ruim, ficou com aparência fantasmagórica.

Kelly Vyanna.
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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

História de hoje...

A câmera fotográfica (parte I)

Havia uma família que tinha um sonho de ter uma boa câmera fotográfica para compartilharem fotos, pois eles eram muitos e viviam em grande harmonia. Aquela família não era rica, ao contrário, viviam do pouco que ganhavam com o suor de seu trabalho. Como eles eram bem organizados, conseguiam se manter, apesar dos apertos.

Eles queriam muito comprar uma câmera, com a qual poderiam acompanhar o desenvolvimento das crianças mais novas e registrar os seus momentos de alegria e união em família. Quando finalmente fizeram as contas e perceberam que poderiam arcar com as parcelas da sua primeira câmera, não tiveram dúvidas, foram logo escolhendo uma que tinha boa divulgação na mídia.

Infelizmente, no entanto, a compra que eles fizeram não foi nada boa. Inúmeros problemas vieram com aquela compra. O valor foi acima do esperado e a câmera não funcionou corretamente. Aquela família tão devotada se sentia frustrada por causa de uma empresa desonesta, que prometia grandes coisas, mas não era a realidade.

Aquela compra não foi benéfica, mas eles conseguiram superar a situação, denunciaram a empresa e, algum tempo depois conseguiram finalmente realizar o seu sonho.

Kelly Vyanna.
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